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21 setembro 2014
penteadeira, abajour e curta-metragem
Foi hoje que eu decidi assistir a esse curta-metragem que um amigo havia me mandado há dias. Foi também hoje que, pelo grupo da nossa família no whatsapp, meu irmão mostrou imagens da casa nova para onde ele se mudou.
No vídeo, enquanto ele movia a câmera do celular de um canto a outro do quarto, eu pude ver minha penteadeira e meu abajour.
Então eu fingi incômodo ao ver aquelas coisas tão minhas ali no quarto dele. Minha mãe interveio e me lembrou que ele havia, antes da mudança, me perguntado se podia ficar temporariamente com as duas peças e eu permiti. Era brincadeirinha, mãe, você sabe. Não precisava pedir, claro, embora eu pudesse ficar bastante chateada caso visse minha penteadeira espremida entre duas paredes num desses apartamentos mal iluminados que as construtoras colocam no mundo a torto e a direito sem se importar com quem vai viver ali dentro.
Mas meu irmão não me decepciona, e lá estava a penteadeira iluminada pela luz que entrava da sacada de portas grandes com vista para a rua calma e duas palmeiras, e isso não tem nada a ver com dinheiro, mas com paz e liberdade.
Foi naquele videozinho caseiro de menos de 30 segundos que eu percebi um infinito de coisas. O apartamento no prédio amarelo da rua de paralelepípedos, onde por três anos dividimos teto, não faz mais parte da minha vida. Não tenho mais as janelas grandes do último andar, e a gente sabe quanta história ficou por lá.
Leminski falou que a vida é as vacas que você põe no rio pra atrair as piranhas enquanto a boiada passa. Ver a vida acontecendo lá, e aqui acontecendo também, é concretizar esse poema. Foi porque eu cá coloquei a vaca no rio que a boiada de lá passou.
Eu não vou voltar para o lugar que, junto do meu irmão, fiz mais meu o possível. Assim como não voltarei para quem fui naquele lugar, naqueles anos todos de sol e brisa morna entrando pelas janelas.
A gente nunca volta praquilo que um dia foi. Importante é ter quem caminhe paralelo à gente a vida toda, de mãos dadas. O curta-metragem é também sobre isso: as coisas singelas da vida.
21 novembro 2013
tristeza do jeca
quando eu era criança, ouvia essa música na vitrola da casa do meu avô. quem cantava era tonico e tinoco, era sítio, entrava uma luz alaranjada pela janela e a gente sentava no chão da sala. meu avô às vezes parecia que não me via, nem enxergava mais nada. era só a música e a luz laranja, e ele no mundo dele. eu no meu, cada qual no seu e uma felicidade sobre a gente, nos ombros, na cabeça, a felicidade calma e tátil. no raio de luz que escorregava pela janela pra dentro da sala pairavam partículas de poeira, e eram pra mim felicidades materiais dançando no ar. eu olhava praquilo tudo com sossego. felicidade era isso: a gente podia ver.
meu avô morreu faz nove anos e a vitrola nunca mais tocou. a internet é uma benção, o youtube um labirinto e ontem entre uma música e outra sem querer cliquei nessa. que eu nunca soube que tinha esse nome. quando reconheci o som, chorei. foi o clima de fim de ano, essa felicidade que fica pairando no ar, mais a saudade.
hoje, tempo de ser mais feliz é fim de ano, quando as coisas andam devagar e aquela felicidade tátil e morna ressurge junto dos bichinhos de luz e das luzes de natal.
a gente vai embora de onde nasceu, cai na vida, mas tem sempre um anzol nos fisgando praquilo que a gente foi.
10 janeiro 2012
TV
Dessa vez quem fala não sou eu.
Que a televisão prejudica o movimento da pracinha Jerônimo Monteiro, em todos os Cachoeiros de Itapemirim, não há dúvida.
Sete horas da noite era hora de uma pessoa acabar de jantar, dar uma volta pela praça para depois pegar a sessão das 8 no cinema.Agora todo mundo fica em casa vendo uma novela, depois outra novela.O futebol também pode ser prejudicado. Quem vai ver um jogo do Cachoeiro F.C. com o Estrela F.C. se pode ficar tomando cervejinha e assistindo a um Fla-Flu, ou a um Internacional x Cruzeiro, ou qualquer coisa assim?Que a televisão prejudica a leitura de livros, também não há dúvida. Eu mesmo confesso que lia mais quando não tinha televisão.Rádio, a gente pode ouvir baixinho, enquanto está lendo um livro. Televisão é incompatível com livro – e com tudo mais nesta vida, inclusive a boa conversa, até o making love.Também acho que a televisão paralisa a criança numa cadeira mais que o desejável. O menino fica ali parado, vendo e ouvindo, em vez de sair por aí, chutar uma bola, brincar de bandido, inventar uma besteira qualquer para fazer. Por exemplo: quebrar o braço.Só não acredito que televisão seja “máquina de fazer doido”.Até acho que é o contrário: ou quase o contrário: é máquina de amansar doido, distrair doido, acalmar doido, fazer doido dormir.Quando você cita um inconveniente da televisão, uma boa observação que se pode fazer é que não existe nenhum aparelho de TV, a cores ou em preto e branco, sem um botão para desligar. Mas quando um pai de família o utiliza isso pode produzir o ódio e o rancor no peito das crianças e até de outros adultos.Quando o apartamento é pequeno, a família é grande, e a TV é só uma – então sua tendência é para ser um fator de rixas intestinais.- Agora você se agarra nessa porcaria de futebol...- Mas você não tem vergonha de acompanhar essa besteira de novela?- Não sou eu não, são as crianças!- Crianças, para a cama!Mas muito lhe será perdoado, à TV, pela sua ajuda aos doentes, aos velhos, aos solidários. Na grande cidade – num apartamentinho de quarto e sala, num casebre de subúrbio, numa orgulhosa mansão – a criatura solidária tem nela a grande distração, o grande consolo, a grande companhia. Ela instala dentro de sua toca humilde o tumulto e o frêmito de mil vidas, a emoção, o “suspense”, a fascinação dos dramas do mundo.A corujinha da madrugada não é apenas a companheira de gente importante, é a grande amiga da pessoa desimportante e só, da mulher velha, do homem doente... É a amiga dos entrevados, dos abandonados, dos que a vida esqueceu para um canto... ou dos que estão parados, paralisados, no estupor de alguma desgraça...ou que no meio da noite sofrem o assalto das dúvidas e melancolias... mãe que espera filho, mulher que espera marido...homem arrasado que espera que a noite passe, que a noite passe...
"Ela tem alma de pomba", Rubem Braga
18 novembro 2011
agradecimento e poesia
Eu vim aqui rapidinho só pra dizer duas coisas:
1. Fico muito, muito feliz cada vez que venho aqui e vejo ali do lado uma carinha nova acompanhando esse blog. Aqui, meu abraço pra vocês que passam e depois voltam e voltam. (:
2. Sempre tive pé atrás com poesia. Pouca coisa me convence, muita coisa me parece forçada, fingimento demais, sentimentos de menos. Muita rima e pouca sensibilidade. Eis aqui algo que me convence, e me comove. Queria partilhar com vocês:
Lá no youtube vocês encontram as outras partes, ok?
Logo eu venho com história.
Bjo.
1. Fico muito, muito feliz cada vez que venho aqui e vejo ali do lado uma carinha nova acompanhando esse blog. Aqui, meu abraço pra vocês que passam e depois voltam e voltam. (:
2. Sempre tive pé atrás com poesia. Pouca coisa me convence, muita coisa me parece forçada, fingimento demais, sentimentos de menos. Muita rima e pouca sensibilidade. Eis aqui algo que me convence, e me comove. Queria partilhar com vocês:
Lá no youtube vocês encontram as outras partes, ok?
Logo eu venho com história.
Bjo.
26 junho 2011
caio f.
virou moda tomar café, ser depressivo, louco, alcoólatra e bipolar. ou virou moda dizer que se é depressivo, louco, alcoólatra e bipolar, tudo brindado por um bom e forte café (sem starbucks, por favor, porque quem ama café não pode jamais amar starbucks).
e virou moda citar, parafrasear e amar o caio fernando de abreu. quem sou eu para fazer birra? eu não descobri o caio fernando primeiro que ninguém. que citem, parafraseiem, que amem. porque amar sempre esteve na moda, continua estando e o caio fernando sabia falar de amor de um jeito doloroso e verdadeiro. desse jeito que toca a gente nesses dias em que se está meio assim depressivo, meio assim tendendo ao alcoolismo.
A moça que não era Capitu
Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.
Caio Fernando
e virou moda citar, parafrasear e amar o caio fernando de abreu. quem sou eu para fazer birra? eu não descobri o caio fernando primeiro que ninguém. que citem, parafraseiem, que amem. porque amar sempre esteve na moda, continua estando e o caio fernando sabia falar de amor de um jeito doloroso e verdadeiro. desse jeito que toca a gente nesses dias em que se está meio assim depressivo, meio assim tendendo ao alcoolismo.
A moça que não era Capitu
Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.
Caio Fernando
20 maio 2011
ajuda eu, parte II
olha só: no dia 29 de dezembro vocês, seguidores desse blog, eram 71. hoje, são 95. quatro meses e 20 dias. 24 pessoas a mais. uma carol feliz. sem contar aqueles que vez ou outra passam por aqui, os que sempre comentam, os que não comentam mas dizem que leem (oi mãe).
quem me acompanha há mais de um ano sabe que ano passado eu tentei ganhar o top blog. não deu, mas tive um número de votos muito bom. sei que é pretensioso demais querer que tudo que escrevo aqui vá parar num livro. a coisa é, às vezes, confusa. às vezes desorganizada. mas por que não tentar?
então vamos lá. para votar é só clicar ali do lado, no banner do top blog ou AQUI.
claro que não vou ficar aqui pedindo sem oferecer nada em troca. prometo um post por mês, pelo menos. é o que tenho a oferecer: essas letras. como não posso prometer que sempre vai sair coisa boa (mas eu tento, ao menos, divertir vocês com esse meu cotidiano), vou deixar aqui o perfil da Bruna Caram, que o Gabriel (o mesmo do perfil da Silvia Machete) fez. uma moça bonita, com uma voz linda, e apaixonada pelo que faz. não tem como não achar uma graça. enjoy.
parte 1
parte 2
parte 3
quem me acompanha há mais de um ano sabe que ano passado eu tentei ganhar o top blog. não deu, mas tive um número de votos muito bom. sei que é pretensioso demais querer que tudo que escrevo aqui vá parar num livro. a coisa é, às vezes, confusa. às vezes desorganizada. mas por que não tentar?
então vamos lá. para votar é só clicar ali do lado, no banner do top blog ou AQUI.
claro que não vou ficar aqui pedindo sem oferecer nada em troca. prometo um post por mês, pelo menos. é o que tenho a oferecer: essas letras. como não posso prometer que sempre vai sair coisa boa (mas eu tento, ao menos, divertir vocês com esse meu cotidiano), vou deixar aqui o perfil da Bruna Caram, que o Gabriel (o mesmo do perfil da Silvia Machete) fez. uma moça bonita, com uma voz linda, e apaixonada pelo que faz. não tem como não achar uma graça. enjoy.
parte 1
parte 2
parte 3
30 março 2011
poesia
O Livro Sobre Nada, do Manoel de Barros é uma das coisas mais lindas que me aconteceu nos últimos tempos. Eu ando muito distraída, muito ocupada e muito preguiçosa para vir aqui escrever. Mas eu penso que se vocês têm sentido minha falta (oi você do formspring!), é porque gostam de mim. E se gostam de mim, hão de gostar de algo que eu muito gosto. Vou deixar com vocês, então, um poema.
As lições de R.Q.
Aprendi com Rômulo Quiroga (um pintor boliviano):
A expressão reta não sonha.
Não use o traço acostumado.
A força de um artista vem das suas derrotas. Só a alma atormentada pode trazer para a voz um
formato de pássaro.
Arte não tem pensa:
O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo.
Isto seja:
Deus deu a forma. Os artistas desformam.
É preciso desformar o mundo:
Tirar da natureza as naturalidades.
Fazer cavalo verde, por exemplo.
Fazer noiva camponesa voar - como em Chagall.
Agora é só puxar o alarme do silêncio que eu saio por aí a desformar.
Até já inventei mulher de 7 peitos para fazer vaginação comigo.
As lições de R.Q.
Aprendi com Rômulo Quiroga (um pintor boliviano):
A expressão reta não sonha.
Não use o traço acostumado.
A força de um artista vem das suas derrotas. Só a alma atormentada pode trazer para a voz um
formato de pássaro.
Arte não tem pensa:
O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo.
Isto seja:
Deus deu a forma. Os artistas desformam.
É preciso desformar o mundo:
Tirar da natureza as naturalidades.
Fazer cavalo verde, por exemplo.
Fazer noiva camponesa voar - como em Chagall.
Agora é só puxar o alarme do silêncio que eu saio por aí a desformar.
Até já inventei mulher de 7 peitos para fazer vaginação comigo.
04 fevereiro 2011
Silvia Machete
Dizem que dois dias atrás começou o ano do coelho no calendário chinês, e que isso representa união familiar e fertilidade. Eu penso que se a fertilidade está em alta eu tenho que me cuidar, porque não sou das mais sortudas e o acaso gosta de me pegar quando eu menos espero. Penso também que esse negócio de astrologia me serviu pra trazer um inferno astral dos mais feios todo mês de outubro. Só. Às vezes penso que entre azar e sorte, o primeiro gosta de me encontrar nas quebradas da vida, mas que no final o acaso, que por vezes me trapaceia, vem fazer justiça e assim eu vou levando: tem coisa que dá certo. E se tem uma coisa que dá certo são as pessoas que enconto por aí. Já falei: nesse quesito tenho sorte. Tenho sorte de encontrar por aí gente que vale a pena. E tenho sorte de ter uns amigos que vivem inventando hitória e vez ou outra me colocam no meio. Numa dessas, dei sorte de sem querer cair no Sesc de Bauru, com microfone na mão, toda descabelada, pra falar com a Silvia Machete. Não sabe quem é? Pois bem. O Gabriel - que nem nas mídias sociais está, mas que eu garanto: existe - fez esse trabalho lindo que eu queria tanto compartilhar com vocês. Vocês, seus danados, que têm sorte de iniciar o ano do coelho passando por aqui e dando de cara com a dica que eu deixo.
Parte I
Parte II
Parte I
Parte II
05 setembro 2010
Obsceno isso?
Não sei se vocês acompanharam o problema dos livros entregues a um colégio público que, de acordo com alguns pais de alunos, teriam conteúdo inadequado para os estudantes do ensino médio.
A história está bem explicada aqui, só clicar. Em síntese: as escolas públicas receberam do governo livros a serem utilizados pelos alunos. Em um deles - "Cem melhores contos brasileiros do século" - há o conto "Obscenidades para uma dona de casa". O texto tem passagens bem das safadas, e então os pais pensaram que poderia ser muito ofensivo para seus filhos.
Fiz esse post por dois motivos:
1. Porque o autor do conto, o Ignácio de Loyola Brandão, deu sua opinião sobre o assunto e falou tudo. Os pais simplesmente não estão enxergando o que é que há, minha gente. E digo isso na posição de ex-adolescente que aos 14 anos já dava muito nó em pingo d'água e a mãe nem percebia. (Oi, mãe, é brincadeira). A resposta tá aqui.
2. Porque o conto é muito bom, e faz tempo que não mando uma dica do dia. Fica essa.
A história está bem explicada aqui, só clicar. Em síntese: as escolas públicas receberam do governo livros a serem utilizados pelos alunos. Em um deles - "Cem melhores contos brasileiros do século" - há o conto "Obscenidades para uma dona de casa". O texto tem passagens bem das safadas, e então os pais pensaram que poderia ser muito ofensivo para seus filhos.
Fiz esse post por dois motivos:
1. Porque o autor do conto, o Ignácio de Loyola Brandão, deu sua opinião sobre o assunto e falou tudo. Os pais simplesmente não estão enxergando o que é que há, minha gente. E digo isso na posição de ex-adolescente que aos 14 anos já dava muito nó em pingo d'água e a mãe nem percebia. (Oi, mãe, é brincadeira). A resposta tá aqui.
2. Porque o conto é muito bom, e faz tempo que não mando uma dica do dia. Fica essa.
02 agosto 2010
super dica do dia
Não vou colocar a culpa nos astros mais uma vez pra explicar as venturas e desventuras da minha vida. O negócio é que eu não consigo ficar quieta, e aí, cada hora invento uma coisa nova para fazer.
Bom é que, vez em quando, aparece mais gente que me apoia nessas minhas empreitadas. Melhor ainda quando tem gente que me acompanha.
Pois bem, desde que o destino (não os astros, que fique claro), colocaram a Rosa e a Keissy na minha vida, a gente inventou de não ficar quieta. Agora rolou uma parceria legal, e eu quero compartilhar com vocês (essa meia-dúzia de gatos pingados - mas não menos gatos por isso) que vez ou outra passam por aqui: o DESAMÉLIAS.
Não vou dar detalhes não; me limito a garantir que a coisa é boa.
E o dislexicamente segue em frente também, porque não, eu não paro.

*essa foi a melhor imagem que encontrei para expressar o que visualizo mentalmente quando uso a expressão "gatos pingados"
Bjos, seus lindos.
Bom é que, vez em quando, aparece mais gente que me apoia nessas minhas empreitadas. Melhor ainda quando tem gente que me acompanha.
Pois bem, desde que o destino (não os astros, que fique claro), colocaram a Rosa e a Keissy na minha vida, a gente inventou de não ficar quieta. Agora rolou uma parceria legal, e eu quero compartilhar com vocês (essa meia-dúzia de gatos pingados - mas não menos gatos por isso) que vez ou outra passam por aqui: o DESAMÉLIAS.
Não vou dar detalhes não; me limito a garantir que a coisa é boa.
E o dislexicamente segue em frente também, porque não, eu não paro.

*essa foi a melhor imagem que encontrei para expressar o que visualizo mentalmente quando uso a expressão "gatos pingados"
Bjos, seus lindos.
07 julho 2010
Vário do Andaraí

Mas toda essa história no post aí de baixo é pra dizer que eu tenho muita sorte de estar no lugar certo e na hora certa. E que o lugar certo também depende do ponto de vista, porque veja bem, muita gente estava incomodada com o que pra mim era alegria, mas isso não vem ao caso.
Acontece que sei lá se é pelo lugar certo, pelo momento certo, ou por uma conjunção de tudo isso aliado à posição dos astros, eu tenho muita sorte de cruzar no caminho com gente interessante. Acontece na rua, no ônibus, na escola. E aconteceu na internet algumas vezes, e em uma dessas eu conheci o tal do Vário do Andaraí. Como foi que se deu esse conhecimento o próprio explica aqui.
E aí que por meio do Fabiano, e depois da Camila, o “A Máquina de Revelar Destinos não Cumpridos” veio parar nas minhas mãos.
Se o Vário me permite, e eu vou fingir que ele já permitiu, cito aqui um trecho do livro:
“Que culpa tem Graham Bell das inhacas do coração? Nenhuma, diria a lógica. Ora, muito se penou pelas incomunicabilidades do amor bem antes de este Bell senhor ter inventado a máquina de fazer angústia.
Mas nos tempos do onça, quando não havia ainda o celular e os aflitos se missivavam, caso a carta não chegasse ou atrasasse, o coração esperançava-se com a possibilidade de uma pata quebrada do cavalo postal ou precariedades afins”
Aí que o Vário é taxista e escritor, entre muitas outras coisas que uma pessoa pode ser, e se tem uma coisa que eu admiro é gente que saber ser mais de uma. Eu não sei se o táxi é pretexto pra arrumar histórias, ou se as histórias são pretexto pra dirigir um táxi, sei que a prosa é boa. Guardei o livro pra ler numa viagem de ônibus. Folheei enquanto esperava na rodoviária e quando o ônibus estacionou só me faltavam poucas páginas para o final. A coisa é sem rodeios, faz rir e faz pensar na vida. Brega, né? Pois é, o Vário sabe bem ser brega também. Mas é nessa quase breguice, nesse sentimentalismo de buteco, nessa conversa de taxista que dura quinze minutos, meia hora, que está toda a graça. Porque, meu bem, se você quer ser fino e falar difícil periga perder muito tempo treinando, quando se pode simplesmente falar e encantar pelo meio do caminho: a vida é isso que passa pela janela, e é nessa banalidade toda que acontece poesia, graça e desgraça.
Eu me permito terminar esse post com outro trecho, uma coisa tão bonita que...quando a coisa é bonita demais, ela fala por si mesma.
“Numa dessas madrugadas de ruas dormidas, voltando do Recreio dos Bandeirantes (lá ele criou e promove um pagode somente por causa do nome do bairro porque “um bairro com este nome tem que ter uma roda de samba que se faça ao jus da história”), com sua voz narcotizada de si mesmo, detalhou: “o cara é médico, sargento, advogado, servente, o tento que tente, ele se mata, inventa tempo, negligencia a família, a filha, atrasa compromisso, ganha fama de omisso, desanda os protocolos e os torcicolos pra jogar sua pelada... Todo moleque quer ser jogador de futebol; não conseguindo vira sonho de menino velho. Com a música, dá-se no mesmo puxo: o cara é do hiphop, do pop, do fagote, da glote...Sempre acaba num pagode, invejando a rapaziada da cozinha, em linha, e arruma uma cuíca, um pandeiro, um repique e decora velhos sambas de terreiro...quem não queria ser Élton Medeiros?”
Eu tenho mesmo muita sorte.
18 março 2010
Envelhecer pode ser divertido
Na última comédia romântica que vi, não havia uma mocinha desajeitada que conquista o coração do capitão da equipe de baseball do colégio. Também não havia nenhum casal que, às vésperas de subir ao altar, vê seu romance abalado por uma nova vizinha ou um bonitão conhecido em uma viagem. Não houve nenhuma declaração de amor direto da arquibancada do estádio de futebol e nenhum casamento interrompido na hora do sim ou não. Não havia nenhum saradão charmoso, nenhuma gostosona sedutora e nenhuma maluca que foge no altar.
Ainda assim, foi a melhor comédia romântica que vi nos últimos tempos. E talvez esses sejam exatamente os motivos para fazer de It´s Complicated, ou Simplesmente Complicado, a melhor comédia romântica que já vi nos últimos tempos.
Ops, errei. No filme há sim uma mulher jovem e bela: a Agness, interpretada pela estonteante Lake Bell. Mas quem brilha mesmo é Meryl Streep, como a cinquentona Jane, que se vê disputada pelo ex-marido Jake (Alec Bladwin) e pelo arquiteto Adam (Steve Martin).
Romances à parte, o legal do filme é a ideia de que adultos também ficam confusos, também se apaixonam e também se divertem. Pessoas com a vida resolvida, com filhos e um trabalho estável podem sim curtir uma festa, ter um caso, encher a cara e se arrepender. Mesmo sem gostosonas e saradões, Simplesmente Complicado traz aquela ideia de que a vida pode ser divertida e que envelhecer não é ruim. Porque isso tudo é mesmo uma grande piada. E acaba.
Enjoy ;)
Ainda assim, foi a melhor comédia romântica que vi nos últimos tempos. E talvez esses sejam exatamente os motivos para fazer de It´s Complicated, ou Simplesmente Complicado, a melhor comédia romântica que já vi nos últimos tempos.
Ops, errei. No filme há sim uma mulher jovem e bela: a Agness, interpretada pela estonteante Lake Bell. Mas quem brilha mesmo é Meryl Streep, como a cinquentona Jane, que se vê disputada pelo ex-marido Jake (Alec Bladwin) e pelo arquiteto Adam (Steve Martin).
Romances à parte, o legal do filme é a ideia de que adultos também ficam confusos, também se apaixonam e também se divertem. Pessoas com a vida resolvida, com filhos e um trabalho estável podem sim curtir uma festa, ter um caso, encher a cara e se arrepender. Mesmo sem gostosonas e saradões, Simplesmente Complicado traz aquela ideia de que a vida pode ser divertida e que envelhecer não é ruim. Porque isso tudo é mesmo uma grande piada. E acaba.
Enjoy ;)
31 janeiro 2010
Santa gula
Depois de dias sem passar por aqui, resolvi aparecer para dar uma dica. “O Clube dos Anjos” faz parte da coleção “Plenos Pecados” e, assim como “A Casa dos Budas Ditosos”, é garantia de boa leitura. A ideia de morrer pelas mãos daquilo que nos dá prazer é colocada no papel de forma inteligente e bem-humorada. É daqueles livros que você lê numa tarde, de um fôlego só. Luis Fernando Verissimo nunca me decepciona.
19 janeiro 2010
blog novo, minha gente
Recebi um comentário tão gostoso no post aí de baixo que senti vontade de escrever. Na verdade, todos os comentários que recebo aqui são uma delícia e me fazem muito feliz, por mais que o acesso ao meu blog seja pouco e a criatividade pequena.
Tenho umas ideias para novos textos, mas quero fazer com paciência e dedicação. Então, o post de hoje é naquele estilo “dica do dia” (que serve, na verdade, de carta na manga pra quando quero postar mas não tenho nada em mãos ou em mente – ou nos dois).
Acontece que eu resolvi me aventurar num novo projeto: um blog temático escrito a três mãos. Juntei meus trapos, letras e ideias com a @marcellarosa e a @keissycarvelli e criamos o “peque por três”. A ideia é discutir aquelas safadezas que todo mundo faz com medo de se arrepender no dia seguinte, fugindo do falso moralismo e do “sejaumamulhermudernaebemresolvida” difundidos por revistas destinadas à mulher “moderna” e “bem resolvida”. Porque, né, e daí se eu quero usar uma calcinha velha e esfarrapada no meu dia-a-dia? Francamente, revista NOVA.
Pois bem. O blog ainda está em sua primeira fase: a apresentação dos pecados - aqueles danados que dão origem ao que acreditamos ser deslizes. Depois disso, a azaração vai rolar solta com altas novidades. Mentira. Hihi
A dica de hoje, então, é que passem por lá, leiam, acompanhem. Mas não abandonem esse cantinho aqui, porque hora ou outra eu apareço.
Tenho umas ideias para novos textos, mas quero fazer com paciência e dedicação. Então, o post de hoje é naquele estilo “dica do dia” (que serve, na verdade, de carta na manga pra quando quero postar mas não tenho nada em mãos ou em mente – ou nos dois).
Acontece que eu resolvi me aventurar num novo projeto: um blog temático escrito a três mãos. Juntei meus trapos, letras e ideias com a @marcellarosa e a @keissycarvelli e criamos o “peque por três”. A ideia é discutir aquelas safadezas que todo mundo faz com medo de se arrepender no dia seguinte, fugindo do falso moralismo e do “sejaumamulhermudernaebemresolvida” difundidos por revistas destinadas à mulher “moderna” e “bem resolvida”. Porque, né, e daí se eu quero usar uma calcinha velha e esfarrapada no meu dia-a-dia? Francamente, revista NOVA.
Pois bem. O blog ainda está em sua primeira fase: a apresentação dos pecados - aqueles danados que dão origem ao que acreditamos ser deslizes. Depois disso, a azaração vai rolar solta com altas novidades. Mentira. Hihi
A dica de hoje, então, é que passem por lá, leiam, acompanhem. Mas não abandonem esse cantinho aqui, porque hora ou outra eu apareço.
11 dezembro 2009
O diálogo
Enquanto a versão do Tim Burton de 'Alice no País das Maravilhas' não chega aos cinemas, eu vejo, mais uma vez, minha cena preferida (não estou realmente certa disso) do filme que alegrou - e confundiu, é verdade - a minha infância. E compartilho com vocês!
Afinal, todos aqui são loucos.
Afinal, todos aqui são loucos.
25 outubro 2009
Lições de picaretagem para manter a casa em ordem
Depois de uma semana cheia, quando finalmente pude parar para comer, respirar e voltar a viver, tive que procurar a minha cama em meio a todas aquelas roupas, livros e sapatos. Quando recobrei a consciência - porque se tem uma coisa que me faz perder a cabeça é falta de tempo -, percebi que era hora de arrumar o quarto. Perdi uma tarde dobrando, guardando, varrendo e separando: isso vai pro lixo, isso não.
É que nessa minha semana caótica, eu simplesmente ignorei coisas que aprendi nesses três anos de vida em república. Nesse meu tempo de vida longe da casa da mamãe desenvolvi técnicas de como manter uma casa arrumada para poder adiar a grande faxina.
Então, achei legal colocar aqui umas dicas da mais pura picaretagem: como fazer sua casa parecer que está arrumada.
1. Tenha tapetes. Pelo menos um na entrada da casa e outro na frente da porta do banheiro. Um em frente a pia também pode ser muito útil. Eles evitam que você leve sujeira ou água para o resto da casa depois de chegar da rua, lavar a louça ou tomar banho.
2. Mantenha o hábito de tirar o lixo da sacolinha antes de transbordar. Uma vez que a sacola – ou o cestinho – está cheia, a tendência é que o lixo acabe caindo no chão. E quanto mais lixo no chão, maior a preguiça de limpar e aí, mais lixo no chão.
3. Aprenda a jogar fora coisas inúteis. Se você nunca irá pedir uma pizza de atum que custa 35 reais, pra que guardar o panfleto daquela pizzaria?
4. Entre deixar o tênis no meio do quarto ou embaixo da cama, fique com a segunda opção. Em um dia que você trocar de sapato 3 vezes, isso vai fazer toda a diferença.
5. Aprenda a tirar os restos de comida do ralo da pia. Deixar a sujeira acumular ali é a pior coisa que você pode fazer. Acredite: desentupir uma pia não é nada agradável.
6. Se não dá tempo de lavar a louça, vai a dica: brinque de encaixar. Isso mesmo. Coloque o copo menor dentro do maior. O copo maior dentro do pote e o pote dentro da panela. Sobrou um cantinho na panela? Coloque a xícara. E os garfos e facas você já sabe: é só colocar dentro do copo. Pronto! Guarde essa obra de arte na pia – mas não em cima do ralo, senão a água não desce e você cria uma piscininha.
Assim, fica parecendo que sua pia está limpa e que só tem umas coisinhas ali no canto pra lavar mais tarde.
7. Tenha um cesto de roupas no seu quarto. De preferência, um colorido, bontinho. Essa é uma dica que eu ainda não coloquei em prática, mas quando vejo minha cama coberta de vestidos e camisetas, penso no quão útil isso seria. E colorido e bonitinho porque, né, deixa tudo mais alegre.
8. Essa serve para as meninas: tenha um mancebo. E não, não estou falando de um belo rapaz guardado embaixo da cama, todo disposto a aliviar sua tensão. Mancebo, para quem não sabe, é esse objeto aqui, coisa que no tempo da sua avó servia para pendurar chapéus, mas que hoje é ótimo para pendurar bolsas, mochilas, casacos, colares e ainda sua toalha de banho. Chegou cansada e quer cair na cama? Joga a jaqueta lá! Sua cama e seu chão ficam lindos. O mancebo também pode substituir o cesto de roupas sujas em alguns casos, mas não recomendo se você demora muito para lavá-las: ele pode ficar muito cheio e tombar.
9. Arrumar a cama é total perda de tempo, eu sei. Mas que dá uma impressão de quarto arrumado, isso dá. Então, pra quem não curte muito ficar dobrando e guardando, a dica é: quando acordar, estenda seu edredom sobre todas as outras coisas: lençol, travesseiro, pijama. Vai parecer lindo e à noite é só entrar embaixo.
10. Mantenha o tapete e as almofadas da sala no lugar. Mesmo que o chão esteja sujo e os móveis empoeirados, vai parecer que as coisas estão onde deveriam estar, tudo lindo e bem organizado.
Aceito outras sugestões porque atualmente tempo é o que me falta e preguiça é o que me sobra.
É que nessa minha semana caótica, eu simplesmente ignorei coisas que aprendi nesses três anos de vida em república. Nesse meu tempo de vida longe da casa da mamãe desenvolvi técnicas de como manter uma casa arrumada para poder adiar a grande faxina.
Então, achei legal colocar aqui umas dicas da mais pura picaretagem: como fazer sua casa parecer que está arrumada.
1. Tenha tapetes. Pelo menos um na entrada da casa e outro na frente da porta do banheiro. Um em frente a pia também pode ser muito útil. Eles evitam que você leve sujeira ou água para o resto da casa depois de chegar da rua, lavar a louça ou tomar banho.
2. Mantenha o hábito de tirar o lixo da sacolinha antes de transbordar. Uma vez que a sacola – ou o cestinho – está cheia, a tendência é que o lixo acabe caindo no chão. E quanto mais lixo no chão, maior a preguiça de limpar e aí, mais lixo no chão.
3. Aprenda a jogar fora coisas inúteis. Se você nunca irá pedir uma pizza de atum que custa 35 reais, pra que guardar o panfleto daquela pizzaria?
4. Entre deixar o tênis no meio do quarto ou embaixo da cama, fique com a segunda opção. Em um dia que você trocar de sapato 3 vezes, isso vai fazer toda a diferença.
5. Aprenda a tirar os restos de comida do ralo da pia. Deixar a sujeira acumular ali é a pior coisa que você pode fazer. Acredite: desentupir uma pia não é nada agradável.
6. Se não dá tempo de lavar a louça, vai a dica: brinque de encaixar. Isso mesmo. Coloque o copo menor dentro do maior. O copo maior dentro do pote e o pote dentro da panela. Sobrou um cantinho na panela? Coloque a xícara. E os garfos e facas você já sabe: é só colocar dentro do copo. Pronto! Guarde essa obra de arte na pia – mas não em cima do ralo, senão a água não desce e você cria uma piscininha.
Assim, fica parecendo que sua pia está limpa e que só tem umas coisinhas ali no canto pra lavar mais tarde.
7. Tenha um cesto de roupas no seu quarto. De preferência, um colorido, bontinho. Essa é uma dica que eu ainda não coloquei em prática, mas quando vejo minha cama coberta de vestidos e camisetas, penso no quão útil isso seria. E colorido e bonitinho porque, né, deixa tudo mais alegre.
8. Essa serve para as meninas: tenha um mancebo. E não, não estou falando de um belo rapaz guardado embaixo da cama, todo disposto a aliviar sua tensão. Mancebo, para quem não sabe, é esse objeto aqui, coisa que no tempo da sua avó servia para pendurar chapéus, mas que hoje é ótimo para pendurar bolsas, mochilas, casacos, colares e ainda sua toalha de banho. Chegou cansada e quer cair na cama? Joga a jaqueta lá! Sua cama e seu chão ficam lindos. O mancebo também pode substituir o cesto de roupas sujas em alguns casos, mas não recomendo se você demora muito para lavá-las: ele pode ficar muito cheio e tombar.
9. Arrumar a cama é total perda de tempo, eu sei. Mas que dá uma impressão de quarto arrumado, isso dá. Então, pra quem não curte muito ficar dobrando e guardando, a dica é: quando acordar, estenda seu edredom sobre todas as outras coisas: lençol, travesseiro, pijama. Vai parecer lindo e à noite é só entrar embaixo.
10. Mantenha o tapete e as almofadas da sala no lugar. Mesmo que o chão esteja sujo e os móveis empoeirados, vai parecer que as coisas estão onde deveriam estar, tudo lindo e bem organizado.
Aceito outras sugestões porque atualmente tempo é o que me falta e preguiça é o que me sobra.
11 outubro 2009
Brilha, brilha, estrelinha...
"Se lhes dou esses detalhes sobre o asteróide B 612 e lhes confio o seu número, é por causa das pessoas grandes. As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca: "Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que coleciona borboletas?" Mas perguntam: "Qual é sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai?" Somente então é que elas julgam conhecê-lo. Se dizemos às pessoas grandes: "Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado..." elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa. É preciso dizer-lhes: "Vi uma casa de seiscentos contos". Então elas exclamam: 'Que beleza!'"
O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry
Semana passada, no programa do Jô, para minha surpresa e perplexidade, um dos entrevistados era meu ex-professor de física do colegial. O “seu Márcio” estava lá no sofá do gordo para falar de uma descoberta que fizera anos atrás: uma estrela. Pasmei quando vi porque eu já sabia da história de que aquele cara sério que me dava zeros com muito desdém havia descoberto uma estrela. Era um dos comentários do colégio desde o início dos anos 2000 (que pra mim ainda parecem estar logo ali e já se foram 9 primaveras). Santo de casa não faz milagre mesmo! Eu não levava a sério quando diziam que aquele homem que falava de números como quem passa uma receita de bolo havia sido procurado pela NASA. E, ainda que ele trouxesse uma foto e o registro em cartório do nome da estrela, com o nome dele na parte em que se preenche “filiação”, eu não me surpreenderia. Acontece que, além de santo de casa não fazer milagre, eu, até semana passada, pensava que descobrir estrelas era a coisa mais comum – ou a maior balela – do mundo. Se você estiver numa pequena cidade do interior, e se for noite de lua, saia lá fora e olhe para o céu. São muitas! É bem fácil um mané apontar uma, inventar umas coordenadas e dizer “essa estrela fui eu que descobri”. Quem vai falar que não? Quem vai falar “opa, meu rapaz, essa não. Essa estrela aí quem descobriu fui eu”
Daí, quando vi o seu Márcio no programa do Jô, falando da estrela, do observatório e da NASA, fiquei a pensar que talvez batizar uma estrela tenha lá sua importância para o futuro da humanidade. Comentei isso com um amigo e ele disse que sim, descobrir uma estrela é algo “mto foda” e que eu não tinha noção da importância. Então eu lembrei de quando meu namorado me disse, contente e surpreso, que uns caras de não sei de onde conseguiram fotografar a curvatura da terra (era isso mesmo?) colocando uma câmera em um balão. E lembrei também do meu total desdém com filosofias, invenções e descobertas, por que no fundo eu acho que tudo é uma questão de estar no lugar certo e na hora certa e de ter bastante tempo para pensar em uma coisa só. E que tudo que o homem cria é só uma forma que ele encontra para justificar sua efêmera existência nesse planetinha azul, perdido entre tantas estrelas, perigando explodir a qualquer minuto. E que nomear uma estrela é uma boa forma de sentir um pouco de domínio sobre algo que existe há muito tempo e que nunca precisou e nem precisará de mim, nem de você, pra continuar existindo e brilhando a milhões de quilômetros de distância - e pensei nesse vídeo aqui. Por final, achei louvável descobrir estrelas, porque enquanto eu escrevo este textinho inútil como forma de justificar minha pífia existência, pessoas podem dizer que aquela coisinha que brilha lá longe é sua descoberta e tem um nome que elas escolheram, apesar de aquela coisinha que brilha lá longe nunca saber que um dia teve um nome.
E, já que hoje é dia das crianças e eu citei lá em cima, deixo aqui "O Pequeno Prícipe" (com ilustração e tudo!) para quem quiser ler.
O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry
Semana passada, no programa do Jô, para minha surpresa e perplexidade, um dos entrevistados era meu ex-professor de física do colegial. O “seu Márcio” estava lá no sofá do gordo para falar de uma descoberta que fizera anos atrás: uma estrela. Pasmei quando vi porque eu já sabia da história de que aquele cara sério que me dava zeros com muito desdém havia descoberto uma estrela. Era um dos comentários do colégio desde o início dos anos 2000 (que pra mim ainda parecem estar logo ali e já se foram 9 primaveras). Santo de casa não faz milagre mesmo! Eu não levava a sério quando diziam que aquele homem que falava de números como quem passa uma receita de bolo havia sido procurado pela NASA. E, ainda que ele trouxesse uma foto e o registro em cartório do nome da estrela, com o nome dele na parte em que se preenche “filiação”, eu não me surpreenderia. Acontece que, além de santo de casa não fazer milagre, eu, até semana passada, pensava que descobrir estrelas era a coisa mais comum – ou a maior balela – do mundo. Se você estiver numa pequena cidade do interior, e se for noite de lua, saia lá fora e olhe para o céu. São muitas! É bem fácil um mané apontar uma, inventar umas coordenadas e dizer “essa estrela fui eu que descobri”. Quem vai falar que não? Quem vai falar “opa, meu rapaz, essa não. Essa estrela aí quem descobriu fui eu”
Daí, quando vi o seu Márcio no programa do Jô, falando da estrela, do observatório e da NASA, fiquei a pensar que talvez batizar uma estrela tenha lá sua importância para o futuro da humanidade. Comentei isso com um amigo e ele disse que sim, descobrir uma estrela é algo “mto foda” e que eu não tinha noção da importância. Então eu lembrei de quando meu namorado me disse, contente e surpreso, que uns caras de não sei de onde conseguiram fotografar a curvatura da terra (era isso mesmo?) colocando uma câmera em um balão. E lembrei também do meu total desdém com filosofias, invenções e descobertas, por que no fundo eu acho que tudo é uma questão de estar no lugar certo e na hora certa e de ter bastante tempo para pensar em uma coisa só. E que tudo que o homem cria é só uma forma que ele encontra para justificar sua efêmera existência nesse planetinha azul, perdido entre tantas estrelas, perigando explodir a qualquer minuto. E que nomear uma estrela é uma boa forma de sentir um pouco de domínio sobre algo que existe há muito tempo e que nunca precisou e nem precisará de mim, nem de você, pra continuar existindo e brilhando a milhões de quilômetros de distância - e pensei nesse vídeo aqui. Por final, achei louvável descobrir estrelas, porque enquanto eu escrevo este textinho inútil como forma de justificar minha pífia existência, pessoas podem dizer que aquela coisinha que brilha lá longe é sua descoberta e tem um nome que elas escolheram, apesar de aquela coisinha que brilha lá longe nunca saber que um dia teve um nome.
E, já que hoje é dia das crianças e eu citei lá em cima, deixo aqui "O Pequeno Prícipe" (com ilustração e tudo!) para quem quiser ler.
19 setembro 2009
Porque hoje é sábado
É sábado, chove e eu estou com sono.
Mas porque é um sábado assim, e porque esse blog anda um tanto abandonado, resolvi postar alguma coisinha. Porque, nestes dias de abandono, descobri que tenho uma meia dúzia de leitores fiéis que passam aqui vez ou outra e meu contadorzinho ai no canto esquerdo não me deixa mentir, muito menos ignorar esse fato e essas pessoas tão fofas - e com tanto tempo livre a ponto de vir aqui, ler, comentar e voltar.
E porque alguém comentou que ando sumida (obrigada, senhor taxista das boas histórias, por notar minha ausência), resolvo, então, escrever.
Mas, porque comecei a trabalhar nesta semana - não é que meu pedido se realizou?! - e estou me acostumando à nova rotina, ando muito cansada e pouco criativa. Então, meu post será breve.
Peço que vocês:
1. tenham paciência, porque textos legais estão por vir;
2. rezem pela família do suposto ET do Panamá, porque tenho certeza que a mãe dele avisou mil vezes pra ele tomar cuidado e não andar perto dos humanos, e agora essa pobre mãe procura desesperadamente pelo filho teimoso que desceu da nave e não voltou;
3. leiam, caso estejam tão a toa quanto eu, esta crônica do Mário Prata. Apesar de eu não concordar com o penúltimo parágrafo, ela é, de fato, muito boa.
Mas porque é um sábado assim, e porque esse blog anda um tanto abandonado, resolvi postar alguma coisinha. Porque, nestes dias de abandono, descobri que tenho uma meia dúzia de leitores fiéis que passam aqui vez ou outra e meu contadorzinho ai no canto esquerdo não me deixa mentir, muito menos ignorar esse fato e essas pessoas tão fofas - e com tanto tempo livre a ponto de vir aqui, ler, comentar e voltar.
E porque alguém comentou que ando sumida (obrigada, senhor taxista das boas histórias, por notar minha ausência), resolvo, então, escrever.
Mas, porque comecei a trabalhar nesta semana - não é que meu pedido se realizou?! - e estou me acostumando à nova rotina, ando muito cansada e pouco criativa. Então, meu post será breve.
Peço que vocês:
1. tenham paciência, porque textos legais estão por vir;
2. rezem pela família do suposto ET do Panamá, porque tenho certeza que a mãe dele avisou mil vezes pra ele tomar cuidado e não andar perto dos humanos, e agora essa pobre mãe procura desesperadamente pelo filho teimoso que desceu da nave e não voltou;
3. leiam, caso estejam tão a toa quanto eu, esta crônica do Mário Prata. Apesar de eu não concordar com o penúltimo parágrafo, ela é, de fato, muito boa.
06 setembro 2009
Para ler no dia do sexo

“Mas, enfim, de modo geral era um barato brincar com a hipocrisia e driblá-la criativamente. Essa amiga de quem eu já falei, Norma Lúcia, que nunca mais vi porque casou com um milionário sul-africano e foi morar lá, mas uma vez na vida ainda me escreve - depois eu quero falar ainda mais sobre ela, ela é mais tarada do que eu, muito mais, é um assombro, já deve estar um tanto passada dos setenta e na ativa, ainda mais agora, que o marido ficou paralítico e meio gaga - , essa amiga me deu grandes lições de anti-hipocrisia aplicada, usando a força dela contra ela, como dizem que fazem os lutadores de jiu-jítsu”.
(trecho do livro)
Hoje é o dia do sexo e eu não ligo muito para essas coisas. Acho bobagem quem diz “Oba! É dia do sexo, vamos fazer sexo para comemorar!!”. Quer dizer então que nos outros 364 dias ninguém faz sexo, é? Mas, já que o dia de hoje tem esse nomezinho especial, eu vou aproveitar e dar a dica: leiam “A casa dos budas ditosos”. Mas leiam de mente aberta, sem preconceitos e frescurinhas, senão vocês vão parar na terceira página e dizer “ai, que nojo” - e gente, sexo e nojinho são coisa que não combinam.
O livro faz parte da coleção Plenos Pecados, que reúne 7 títulos, cada um escrito por um autor brasileiro. Há o livro com uma história sobre a gula, outro sobre a vaidade e por ai vai. Idéia boa, né?.
“A casa dos budas ditosos” é do João Ubaldo Ribeiro e trata – adivinhem - da luxúria. A narradora-personagem é uma mulher de 68 anos que conta suas experiências sexuais e seus desejos sem nenhum pudor. E por trás de tudo isso, tem uma reflexão sobre a vida, por que a narradora – assim como todos nós – está prestes a morrer. Let's enjoy.
E dá pra ler clicando aqui.
13 agosto 2009
Ana e outros demônios
Nessas minhas andanças pelo mundinho virtual acabo trombando com coisas interessantes. Quando vale a pena, posto aqui que é pra todo mundo conhecer. E foi no twitter que encontrei o Marcos Vinícius de Almeida. Curiosa, resolvi ler o blog dele e achei uma história tão boa que parei um tempo por lá. “Ana e outros demônios” é coisa de se ler com tempo, numa tarde calma e ensolarada. E se você é de uma cidadezinha do interior, vai de cara se identificar com as situações e personagens dessa prosa tão simples – e tão envolvente. Foi o que aconteceu comigo. Mais que isso não digo, porque bom mesmo é ler.
E se você quer saber mais sobre o autor – que tem também um livro publicado pela editora Multifoco – pode ler essa conversa aqui, que tivemos outro dia via msn.
E se você quer saber mais sobre o autor – que tem também um livro publicado pela editora Multifoco – pode ler essa conversa aqui, que tivemos outro dia via msn.
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