19 maio 2009

A des-graça do humor

Eu ri muito quando vi, pelo youtube, o vídeo do Diogo Portugal no Programa do Jô. Achei ótimo o vídeo em que o Rafinha Bastos fala do casamento e gostei do Danilo Gentilli falando do papamóvel. Mas não vi graça alguma em uma das últimas apresentações de Rafinha, em que ele falava sobre os garçons. E concordei com a plateia, que permaneceu séria enquanto Oscar Filho contava piada atrás de piada no Programa da Hebe.
O stand up comedy, coisa que importamos dos EUA mantendo o nome original, existe por aqui há tempos. Pra quem duvida, vale ver o vídeo do Chico Anysio, em preto e branco, com direito a gravatinha borboleta. Mas em terras tupiniquins, esse tipo de humor tornou-se notável nos últimos 3 ou 4 anos. Surgiu um, dois, e de repente eram milhares de pessoas querendo arrancar humor de qualquer situação.
Os apaixonados pelos estilo irão discordar, mas eu acredito que o stand up entrou em decadência. E caiu de lá de cima, em pleno auge da popularidade. Teve por aqui carreira meteórica. Sei que muitas pessoas ainda idolatram os rapazes que, de microfone na mão, satirizam situações cotidianas.
Mas quem observa Rafinha Bastos há um ano e compara com suas piadas atuais há de convir: o stand up banalizou. E banalizou em dois sentidos: todo mundo quer fazer; e querem fazer sobre qualquer coisa.
Humor faz bem, alivia o peso do cotidiano, a preocupação com as contas, com os filhos, com a escola. Mas em excesso, cansa. E, se é feito por necessidade de contar uma piada, é superficial. Quando vejo um humorista fazendo piada sobre o modo como o garçon não entende os gestos que o cliente faz, penso que essa pessoa – a que criou a piada – é um pouco triste. Que tipo de pessoa, durante o jantarzinho romântico ou a cerveja com os amigos, fica reparando no modo de agir do cara da mesa ao lado para depois escrever um texto que será, um dia, um roteiro? Se não é uma pessoa triste, é com certeza muito chata. Quem tem capacidade de fazer piada sobre tudo é porque repara em tudo. E uma pessoa que repara em tudo não pode em hipótese alguma ser uma pessoa agradável.
Deixando de lado as impressões pessoais, é fato que o stand up comedy tem seus dias contados. E os próprios comediantes sabem disso e refugiam-se em programas de TV ou em grupos de teatro para garantir o ganha pão.
Porém, a culpa pela decadência do estilo não é somente dos artistas. É cultural: brasileiro gosta de humor escrachado. É a preferência nacional. Ninguém vive de stanp up comedy. Porém, Tom Cavalcanti vive, há anos, de seus personagens. Temos ainda Tiririca, Turma do Didi, a Praça é Nossa. Muitos dirão que é um humor duvidoso, feito de piadas prontas há anos e personagens exagerados. Porém, é o humor que sobrevive. E do qual muitos tiram o dinheiro do mês.
Tudo que é bom tem fim. E tudo que é ruim também. Com a onda do stand up, conhecemos pessoas talentosas e rimos de boas observações acerca do nosso cotidiano. O que é bom ficou lá registrado no youtube. E o resto, bem. É melhor que parem por aqui, porque tem muita gente começando a sentir vergonha alheia.

3 comentários:

Michele Matos disse...

Eu também acho que é o fim de uma era. Tudo está muito forçado mesmo.

VetAgro disse...

Queridaa!! oq deu em vc pra acabar com os novos humoristas??? que revolta hein!!
Olha, é muito perigoso afirmar que o stand up vai acabar,,mesmo pq não vai, já estava ai qdo nascemos e ira continuar qdo perecermos... pode ter certeza. Acho ainda que oq é ultrapassado hj é o humor da turma do didi onde querem nos fazer rir de um balde d'agua jogado sobre o outra pessoa... e Praça é nossa???? esta já deveria ter sido retirada do ar a uns 15 anos pelo menos... Decadencia é rir da pobreza monetaria e espiritual das familias que se engalfinham no palco do Ratinho por 250 reais de cachê... Todo autor, roteirista, escritor tiram suas ideias do cotidiano, de observar as pessoas e suas relaçoes como a do garçom por exemplo, é engraçado pois quem já não esperou uma conta por mais de meia hora??? ou teve que ficar 15 minutos com o braço levantado e o garçom chega a pergunta deseja algo do cardapio?? -não, escolhi apontar pro teto e ficar aqui sem comer nada...
vc estava meio revoltada com o povo do stand up hein...
nao leve a mal as criticas..
bjoks pra vc!

Carolina Bataier disse...

Sim, toda história, roteiro, livro nasce de observações cotidianas. Mas eu acredito que, nos grandes, a obeservação não vem de uma necessidade. Simplesmente acontece. É uma cena, uma pessoa, que chama atenção. E é sempre algo inusitado, ainda que delicadamente inusitado. Mas no caso do stanp up,parece-me que os caras simplesmente precisam tirar humor de qualquer canto. Soa artificial. É isso.