25 setembro 2012

Chokito



Acordo em mais um dia de chuva e penso que São Pedro usa os mesmos métodos educativos dos meus pais.

Quando era criança, minha irmã inventou de comer chokito (isso mesmo, o chocolate da lacta ou garoto, não sei). Não parava de falar de chokito, foi um dia inteiro primeiro pedindo, depois chorando e por fim esperneando. 

Dez anos atrás as coisas não eram fáceis rápidas e onipresentes como são hoje. Você não ligava o computador, digitava chokito e aparecia o mapeamento da cidade com todas as lojas onde vendem chokito, a variação de preços e as formas de entrega e pagamento. Além disso, as mães saiam cedo para trabalhar e quando ficavam em casa tinham que lavar e passar. Sobrava pouco tempo para fazer as outras coisas, como comprar chokito no dia que não era dia de supermercado. 

O tanque cheio de roupa suja e Heloísa chorando por chokito. Minha mãe deixou roupa de molho, louça na pia, mesa sem toalha e saiu sem falar nada. Voltou com uns dez, doze chokitos. Desembrulhou um por um, colocou sobre a mesa e chamou a menina: quer chokito? Pois vai comer. 

Até o terceiro, foi só alegria. O quarto já desceu mais devagar e o quinto ela empurrou de lado depois da segunda mordida: não quero mais.

Foi sob doces ameaças e palavras de carinho que minha mãe fez a menina comer pelo menos mais uns três.

É assim São Pedro. A gente pede chuva, reclama do tempo seco, faz reza, dança, grupo de oração, ele então cansa: é chuva que vocês querem? Tome chuva.
Claro que Heloisa continuou pedindo coisas, não mais chokito porque temos kit kat, alpino, suflair, kinder ovo. Claro que com mais dois dias assim, a gente começa a pedir por sol.

Um comentário:

Rodrigues Bomfim disse...

Educar é um trabalho de repetição...tanto até que enjoa! Interessante blog. Parabéns!!