21 junho 2010

Futebol é coisa de mulher


Eu queria gostar de futebol. Tem mulher que xinga, acha pura bobagem. Tem aquelas que falam que a única coisa boa daquilo tudo são as pernas dos jogadores. Eu concordo que isso é realmente relevante, belos meninos. Mas lamento não entender nada além do 11 de um lado,11 do outro, com o objetivo fazer gol; menos aquele que fica lá no gol, que tem, obviamente, o objetivo contrário do restante.

Queria eu, que esse dias aprendi o que significa impedimento, ter uma paixão igual essa que os homens têm, que os deixa cegos, surdos e mudos para qualquer outras coisa que não seja a disputa no gramado.

Eu deveria gostar de futebol. Mas o mesmo motivo que me obrigaria a gostar me fez estar nem aí pra coisa. Meu pai é um dos apaixonados, não perde uma partida, mesmo que seja entre XV de Jaú e o Pirapozinho.

Eu, com meus 7 anos, tentei impressioná-lo, e na aula de educação física, enquanto as crianças jogavam queimada, lancei a ideia: vamos jogar futebol. Juntei mais 5 ou 6 adeptos, delimitamos o espaço do gol com pedras, separamos os times. Já no primeiro tempo percebi que a coisa não é fácil assim. Fui mandar um pênalti, me preparei, respirei fundo, mirei, corri. Pisei na bola, ela me escapou de lado, toda vagarosa, para fora do campo e eu por pouco que não cai de bunda.

A falta de gol e o fiasco do meu pênalti não me abalaram. Achei um grande feito
organizar uma pelada em terras onde o único esporte era a queimada. Cheguei em casa orgulhosa e contei para o meu pai e ele, naquele senso comum que é bem típico de muita gente, me disse que futebol não é coisa de menina. Fim de jogo.

Eu nunca comprei a história de que futebol não é coisa de menina, mas o fato de meu pai ignorar meus esforços me fez deixar essa história de lado e ir me preocupar em ficar boa na queimada.

Só que aquilo que se ignora quando criança uma hora volta, diria Freud, ou algum desses caras aí que sempre jogam na infância a culpa dos desejos e frustrações da vida adulta. Pois bem, hoje tenho o desejo de entender lance por lance e a frustração de não ser parte da nação apaixonada pelo futebol.

É de causar inveja à mais apaixonada das mulheres o sentimento de um homem diante da partida do seu time de coração. Os mais exaltados xingam, puxam os cabelos, chutam, gritam. Os contidos roem as unhas freneticamente, engolem seco, comem compulsivamente quilos e quilos de azeitonas. Não há como esconder a emoção. E eu, como representante da espécie que - dizem - é, por excelência, a rainha das emoções, fico com inveja. Sinto-me desbancada do meu posto de birrenta, exagerada, apaixonada. São os 90 minutos em que nós, mulheres, meninas, senhoras, assumimos toda a racionalidade e frieza da situação. Mas quem disse que é isso que a gente quer? Meu pai, coitado, enganou-se. Futebol é emoção. Tem coisa mais feminina do que isso?

4 comentários:

Michele Matos disse...

Ai, como eu queria entender também, odeio não saber o que é tiro de meta e volante.Eu tenho usado as frases que tem na última página da Gloss desse mês. Mas é isso mesmo, futebol é emoção.
=)

Alex disse...

Porra, não tem coisa mais feminina que isso! E realmente, nós, homens, entramos numa bolha tal na hora do jogo do nosso time que nunca teríamos qualquer condição de perceber que parte das mulheres morre de inveja da nossa "entrega" - aliás, interessante saber que as mulheres têm inveja da gente em alguma coisa...heheh. Se bem que, voltando ali, tem muita mulher que se entrega tanto quanto nós em dia de jogo, viu? Tempos atrás, Ciborg e eu fomos assistir um jogo do Timão num bar de lésbicas (até sabíamos que era bar de lésbicas, mas não imaginávamos era de lésbicas xiitas), maior parte delas torcendo pro outro time, e até cerveja na nossa cara rolou durante o jogo... quase saímos na mão com a mulherada. Mas eu já escrevi muito!
beijo

Carolina Bataier disse...

ah, sempre tem mulheres que curtem. mas no geral, quem domina a cena são vcs. xD

anamariacorri disse...

Carol, qd eu voltar pro brasil vo fz um intensivao sobre futebol cm vc... nao aceito quem nao entende ahuhuahuahuahuhuahua