29 julho 2009

A internet acabou com a brincadeira


Hoje, quando passo pelo bairro onde morei anos atrás, algumas coisas me causam estranhamento: escritórios, construções onde antes eram terrenos cheios de mato e novas fachadas nas casas antigas. Pessoas se mudaram pra lá, famílias fizeram reformas. Mas o que me deixa triste é ver vazia a ruazinha sem saída. Nenhuma criança brincando, nenhuma trave de futebol improvisada com tijolos, nenhum rabisco de amarelinha na calçada.
Aparentemente, não há motivo para esse abandono. Esta minha cidade tem pouco mais de 25 mil habitantes, não há bandidos pelas ruas e nem carros em alta velocidade. Penso que a ausência de crianças brincando nas ruas é culpa da internet.
Claro que não, não posso crucificar a internet e ser reacionária a ponto de dizer que ela é o mal da humanidade. Quantos benefícios a internet não nos proporciona? Dá voz a todos, traz informações em tempo real, dá acesso a conteúdos artísticos e novidades. E hipnotiza crianças na frente de uma tela.
Dez anos atrás, aquela rua estreita que termina em lugar nenhum estaria, a qualquer hora do dia, cheia de meninos jogando futebol. Meninas pulariam amarelinha e mães conversariam no portão.
Hoje os meninos ficam em casa, não suam, não se sujam, não se cansam. São personagens de incríveis jogos em 3D e conversam com os amigos por uma janelinha aberta na tela do computador enquanto ouvem música e baixam um filme. Uma maravilhosa revolução!
Com tanta coisa boa no mundo virtual, quem quer sair de casa depois do almoço, subir num muro e ver a rua toda de lá de cima; chamar os amigos; jogar uma partida de futebol: um time com camisa, outro sem; fazer um carrinho de rolimã e pegar uma descida, apostando corrida e voltar pra casa só depois de anoitecer, porque a mãe saiu na rua para chamar para jantar?
Penso que se um dia acontecer igual a música do Rappa diz, e faltar luz enquanto for dia, as crianças ficarão sentadas no sofá, com o olhar parado em algum ponto, a boca aberta, sem saber o que fazer. Acho que estamos desaprendendo a brincar.

9 comentários:

Michele Matos disse...

Nem tem onde se sujar mais, é tanta calçada e asfalto...Alguém tem que mostrar pra essas crianças que é muito mais divertido ficar na rua até começar a escurecer.
=**

gabriel disse...

Tomara que elas se percam por aqui e leiam esse texto!

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

tua cidade não difere muito da minha.
ps-s ou diléxico e também invento meu mundo do jeito que quero

anamariacorri disse...

Triste... pior é q é verdade... ainda bem q pegamos o tempo bom de ser criança, o que, aliás, me trouxe várias cicatrizes, que eu morro de orgulho em exibir pra todo mundo! Acho bom que agente consiga mostrar essa coisa gostosa pros nossos filhos!!
Bjaooo

Theo disse...

amor, só nos velhos gostamos disso, eu vivo qrendo jogar bets la em bauru, ou em outro lugar, batatais ainda eh assim, mas as crianças nas ruas tem entre 20 e 23 anos!! pra baixo disso sao os emos choroes q gostam de msn! eu posso ser nerd, mas ja brinquei de pique-pega a cavalo! ja desci cachoeira e ja brinquei mtooo num lamaçal pra boi beber agua

Herculano Neto disse...

É chegada a hora de reaprender a brincar. Saudações!

MORAES, J. A. disse...

Mt bom! hoje em dia as crianças não sabem mais a adrenalina de ficar na rua até tarde com os amigos inventando uma desculpa pra quando voltar pra casa!

Deddalus disse...

Boa !

Gostei.

Abço.

Norton disse...

Oi Carolina, tudo bem?
Sou Giovanna Carvalho da Edelman, agência de comunicação da Symantec.
A Symantec divulgou semana passada mais alguns dados relacionados às crianças na Internet e eu achei que você pudesse se interessar.
De acordo com uma pesquisa realizada entre crianças e adolescentes de todo o mundo, os termos "sexo" e "pornô" estão entre as palavras mais buscadas por eles na Web. Os termos perdem apenas para: Youtube, Google, Facebook e Myspace.
A lista com as 100 palavras mais procuradas foi produzida depois que a Symantec avaliou 3,5 milhões de pesquisas feitas pela ferramenta OnlineFamily.Norton, que permite que os pais vejam o que crianças estão pesquisando e com quem estão falando em mensagens instantâneas e que redes sociais estão usando.
Se você desejar receber um material com mais informações, por favor me enviei um e-mail: giovanna.carvalho@edelman.com
Um abraço!