01 março 2009

Abre bem a boca!

Dia 11 de março será um dia feliz para mim. Está marcado na minha agenda e se eu tivesse um adesivo da Hello Kitty segurando balões coloridos, era lá que eu colocaria. E sabe por que? Sabe? (E essa pergunta eu faço com voz e cara de criança feliz que quer matar alguém de inveja). Porque eu vou tirar meu aparelho ortodôntico! Ficarei livre daquelas pecinhas que me deixam com cara de adolescente e poderei comer amendoins japoneses de modo digno: enchendo a boca e mastigando todos juntos.
Mas o fato da retirada do aparelho não é o motivo maior da minha alegria. Fico feliz mesmo, assim, radiante, por saber que, feita a retirada do aparelho e a higienização (medoo!!) ficarei muito, muito tempo sem ver a gordinha simpática que é a minha dentista. Ok, vai. Muito tempo quer dizer seis meses. Mas para quem tinha que encontrá-la no mínimo uma vez por mês, seis meses é um presente e tanto.
É. Eu tenho medo de dentista. Pânico de consultório odontológico. Não sei de onde veio isso, só sei que um dia, quando eu tinha 12 ou 13 anos, me vi implorando para minha mãe me deixar beber conhaque antes de ir para o temido consultório. Foi ai, diante deste momento de insanidde (minha) e de perplexidade (da minha mãe) que percebi que sofro de uma fobia um tanto comum: a odontofobia. Não sei se está no Aurélio, mas está no Google. A palavra existe!
Fobia, medo, pavor, paúra. Tudo isso. A simples menção da palavra "dentista" já me causa desconforto.
E eu tenho o azar de sempre me consultar com dentistas que gostam do 1º andar. O consultório dos meus carrascos de branco nunca fica no térreo. É sempre o mesmo martírio: parar na porta, encarar as escadas, respirar fundo e subir contanto os degraus. E sentindo a dor no estômago aumentar a cada passo.
Depois, vem a sala de espera. Em todos os consultórios odontológicos que fui, a secretária é sempre simpática em excesso. Eu interpreto aquela simpatia como um modo de disfarçar a pena que ela sente daquelas pessoas sentadas, todas esperando seu momento de tortura.E sempre, sempre, tem uma criança choramingando, o que me dá náuseas e tonturas porque, quando estou na sala de espera, meu cérebro trava e meu corpo nunca sabe como reagir a essa pane, e então acaba reagindo com irritação e reações físicas desnecessárias.
É um momento de extrema tensão: desejo ouvir logo meu nome, para ir logo para a sala de tortura, sem maiores pensamentos, para acabar com minha ansiedade crescente. Mas, quando a secretária diz “Carolina”, tudo que desejo é que haja outra Carolina no recinto.
É nesse momento, quando ouço meu nome, que as náuseas cessam e dão lugar à tremedeira. E, pra piorar, eu sempre me esqueço de levar uma blusa de frio e o consultório do dentista é sempre muito frio. Então fico lá: friorenta, trêmula e vulnerável deitada naquela cadeira que me lembra a mesa dos ETs do filme “Fogo no céu”.
Uma vez na cadeira, minha ansiedade some e eu viro uma completa retardada. Não falo nada, não me mexo, não respiro. E babo. Muito. Se ouço o barulhinho da broca – Hitler não faria melhor - meus pêlos arrepiam e meus dedos do pé contraem. Se não tem o barulhinho, só acordo do “transe” quando sinto as costas da cadeira levantando. Então, volto a ser uma pessoa comum, que sorri, fala e tem fé na vida.
Dia 11 de março, te espero ansiosamente!

4 comentários:

Gabriel disse...

Eu sentia como se fosse uma tortura também. E o momento de aguardar o nome ser chamado era horrível, uma ansiedade estranha, alva. E os consultórios têm um cheiro característico também, que não me esqueço nunca.
gostei bastante carol.

um beijo

outro gabriel disse...

E a extração dos dentes do siso?! Essa prática eles redescobriram vasculhando os documentos do tribunal do santo oficio. E carol, nao queria t desanimar mas meu dentista me enrolou uns meses dpois da data estabelecida pra tirar o aparelho. Tomara q vc tenha mais sorte!

garotabossanova disse...

Um tempão que eu n vinha aqui.Desde que vc me visitou quando eu blogava ainda no wordpress.Engraçado o post,imagino como deve ser um alivio tirar aparelho,e olha q eu preciso mas nem comecei a usar.rs Abraço grande!

Gabriela Domiciano disse...

Háa um ano atrás eu estava nessa situação tb!!
E lá se vai um ano livre de dentistas e motorzinhos. (bom pelo menos de 6 em 6 meses)
É um alívio!!!

=D