24 novembro 2009

Padrão de beleza, #comofas?

Homens, preparem o sorriso para o que vão ler agora: eu não entendo as mulheres!
Isso mesmo, não entendo. Sou uma delas, mas ouço umas coisas por aí que simplesmente não fazem sentido. Elas sofrem com dietas e sapatos de salto e reclamam que o mundo é mau e só as magras têm vez.
Então, aparece uma mulher-fruta ou uma Priscila Pires – quem mede 1,60 e é beeem cheia de curvas – e a mulherada olha feio, desdenha e diz “gorda”. E depois reclamam que a mídia só quer saber de mulher gostosa, que é o império da boa forma, que gordinhas não têm vez e blá blá blá.
Daí aparece a Preta Gil, se orgulhando das gordurinhas e todo mundo avacalha com a auto-estima da menina. Confuso, né?
Mas, na verdade, eu também não entendo os homens. Até certo ponto, eles são mais coerentes do que as mulheres. Uns dizem: gosto é de carne; e pode aparecer Melancia, Melão, Priscila, o que for, que eles estão babando. Outros dizem: gosto de mulher magra e então admiram-se por Deborah Secco, Ana Hickman e Gisele Bundchen. Homens gostam e pronto. Não questionam, não inventam história. E também não se preocupam se o que está na moda é ter o físico do Rodrigo Lombardi ou do Humberto Martins, porque são questões irrelevantes para o universo masculino. Não vamos entrar no mérito do profissionalismo de cada uma das mulheres citadas neste texto, porque é certo que algumas estão na mídia por motivo duvidoso. A questão é forma física.
Então aparece a Preta Gil e eles - contradizendo todo o bom-senso (ou a falta de critério) masculino - chamam de gorda, de baleia e fazem piadinhas – e aqueles que não fazem, riem das piadinhas dos outros. As meninas concordam, riem e chamam a moça de ridícula.
Eu penso que mulheres iguaizinhas a Preta Gil existem aos montes nesse nosso brasilzão. Eu mesma posso citar umas 5 conhecidas sem precisar forçar a memória. O corpo da mulher brasileira, em geral, está muito mais para cheinho do que para modelo de passarela. Magras e altas são exceção. Então você, rapaz, me diz: com quantas modeletes você já ficou nessa vida? Tenho certeza que muitos desses rapazes que fazem piadinha já ficaram com vááárias menininhas à lá Preta Gil. E duvido que tenham feito piadinha no dia seguinte. Ao contrário, se falaram alguma coisa, foi que a menina era bem gostosa.
Ou seja, Preta Gil tem aos montes por aí. E rapaz nenhum para pra fazer piada. Só posso concluir que o que incomoda na moça é a auto-estima elevadíssima que ela tem e não faz questão de esconder. Porque homem, sabe como é: bicho meio inseguro.
Já as mulheres, não há explicação. Elas são confusas por natureza.




*Como escrevi esse texto faz tempo, as referências e exemplos são bem do "semestre passado". Fiquei com preguiça de pesquisar quem tá na moda agora, sorry. (:

02 novembro 2009

Fica sempre uma lembrança...

Não sei se é culpa do Dia de Finados, da proximidade do meu aniversário que deixa tudo mais nostálgico – aquela certeza de que tudo passa e que, uma vez passado, não volta – ou se é influência desse texto aqui, que me pegou lá no insconsciente. Talvez seja tudo isso junto. O fato é que, nesses dias, dei pra pensar no meu avô. Pensei nele e, metalinguisticamente pensando, pensei na forma como me recordo dele. Ele morreu em 2005 e de todos os passeios, as tardes no sítio, os presentes, a doença, o sofrimento e a morte, o que ficou gravado em minha memória são duas cenas. Encuquei por umas horas. Como é estranho o nosso processo de arquivamento de pessoas! Pois de tudo o que vivi ao lado do seu Pedro, duas coisas sobressaem a qualquer outra lembrança que eu possa ter:

Eu, com 5 anos, estou sentada na varanda da casa do sítio. Descalça, camiseta larga, shorts de lycra. É fim de tarde e sinto meu rosto sujo de terra, mas não entro no chuveiro de jeito nenhum. Estou ansiosa. Sentada num banco de madeira, esfrego um pé o outro. Chega o monza dourado e eu levanto a cabeça: o vô e a vó! Pulo do banco e saio correndo. Os dois descem do carro e estão de cabeça baixa, eu ignoro e peço: compra sorvete de uva? Minha mãe me repreende, que agora não é hora e eu devo esperar. O vô e a vó entram na cozinha, conversam com a mãe, comem, tomam café e voltam para o carro. Antes de sair, o vô grita que é pra eu esperar que logo ele vem. Sento de novo,os pés se esfregando. Passa pouco tempo, ele volta. Pára o carro e não desce: me chama na janela, entrega o sorvete - picolé de uva! - e vai embora mais uma vez. A mãe me explica então que ele tem que ir porque logo logo é a hora do enterro do pai dele, meu bisavô, que morreu.


Na outra cena, eu estou no mesmo lugar: a varanda do sítio, que é onde meu avô morava. Só que desta vez, estou em pé, com os cotovelos apoiados na mesa de madeira, as mãos segurando o rosto. Pareço aborrecida e mais uma vez tento adiar o banho. Chega o carro, entra na garagem e o vô e a vó descem sorrindo. Ele segura um embrulho, eu nem desconfio que possa ser de outra pessoa e já lhe tomo das mãos. Rasgo o papel, rasgo a caixa de papelão e tiro de dentro o presente: a miniatura de ventilador. Colorido, com botões na base, um pescocinho que sustenta a gaiolinha que protege as hélices. Cada parte de uma cor. Peço pilhas e o vô pega no porta-luvas do carro. Ligo, coloco em cima da mesa e paro na frente, na mesma posição que estava antes: rosto apoiado nas mãos, mas agora com vento e sorriso no rosto. O vô senta na cadeira por perto e ri de mim.


Eu cismei de tentar entender porque é que, de tudo aquilo, dos 19 anos juntos, foi justo isso que ficou. Deixo de cismar e entendi que a memória não faz sentido. Ou que, talvez, faça todo o sentido do mundo.