29 maio 2009
felicidade
Um dia vai ser quarta-feira às 6 da tarde e eu vou estar sentada no meio-fio, ali, entre o final da calçada da minha casa e o começo de um gramado sem fim. Vou olhar pro meu amor, que vai estar na rede, balançando devagar, quase empurrado pela brisa morninha. O sol vai começar a querer ir embora e vai dando aquele tchau discreto, demorado, meio cor-de-rosa, meio alaranjado. Eu vou ouvir meu menininho moreno, pequeno, esperto, me chamar dali do jardinzinho de azaléia e margarida, pra me dar uma margarida diferente que nasceu cor-de-rosa e ele achou bonito: "manhê, vem vê!". Meu amor vai me falar que a noite, mais tarde, quem faz a janta é ele, mas quem lava os pratos sou eu. Eu vou esperar o sol se pôr sem pressa de ser amanhã, sem medo de ter que acordar cedo, sem pensar se vai dar tempo. Nunca vai haver dor de cabeça. E eu vou falar pro meu amor, assim, bem clichê que o tempo é dinheiro. O tempo é coisa mais valiosa que a gente pode ter.
19 maio 2009
A des-graça do humor
Eu ri muito quando vi, pelo youtube, o vídeo do Diogo Portugal no Programa do Jô. Achei ótimo o vídeo em que o Rafinha Bastos fala do casamento e gostei do Danilo Gentilli falando do papamóvel. Mas não vi graça alguma em uma das últimas apresentações de Rafinha, em que ele falava sobre os garçons. E concordei com a plateia, que permaneceu séria enquanto Oscar Filho contava piada atrás de piada no Programa da Hebe.
O stand up comedy, coisa que importamos dos EUA mantendo o nome original, existe por aqui há tempos. Pra quem duvida, vale ver o vídeo do Chico Anysio, em preto e branco, com direito a gravatinha borboleta. Mas em terras tupiniquins, esse tipo de humor tornou-se notável nos últimos 3 ou 4 anos. Surgiu um, dois, e de repente eram milhares de pessoas querendo arrancar humor de qualquer situação.
Os apaixonados pelos estilo irão discordar, mas eu acredito que o stand up entrou em decadência. E caiu de lá de cima, em pleno auge da popularidade. Teve por aqui carreira meteórica. Sei que muitas pessoas ainda idolatram os rapazes que, de microfone na mão, satirizam situações cotidianas.
Mas quem observa Rafinha Bastos há um ano e compara com suas piadas atuais há de convir: o stand up banalizou. E banalizou em dois sentidos: todo mundo quer fazer; e querem fazer sobre qualquer coisa.
Humor faz bem, alivia o peso do cotidiano, a preocupação com as contas, com os filhos, com a escola. Mas em excesso, cansa. E, se é feito por necessidade de contar uma piada, é superficial. Quando vejo um humorista fazendo piada sobre o modo como o garçon não entende os gestos que o cliente faz, penso que essa pessoa – a que criou a piada – é um pouco triste. Que tipo de pessoa, durante o jantarzinho romântico ou a cerveja com os amigos, fica reparando no modo de agir do cara da mesa ao lado para depois escrever um texto que será, um dia, um roteiro? Se não é uma pessoa triste, é com certeza muito chata. Quem tem capacidade de fazer piada sobre tudo é porque repara em tudo. E uma pessoa que repara em tudo não pode em hipótese alguma ser uma pessoa agradável.
Deixando de lado as impressões pessoais, é fato que o stand up comedy tem seus dias contados. E os próprios comediantes sabem disso e refugiam-se em programas de TV ou em grupos de teatro para garantir o ganha pão.
Porém, a culpa pela decadência do estilo não é somente dos artistas. É cultural: brasileiro gosta de humor escrachado. É a preferência nacional. Ninguém vive de stanp up comedy. Porém, Tom Cavalcanti vive, há anos, de seus personagens. Temos ainda Tiririca, Turma do Didi, a Praça é Nossa. Muitos dirão que é um humor duvidoso, feito de piadas prontas há anos e personagens exagerados. Porém, é o humor que sobrevive. E do qual muitos tiram o dinheiro do mês.
Tudo que é bom tem fim. E tudo que é ruim também. Com a onda do stand up, conhecemos pessoas talentosas e rimos de boas observações acerca do nosso cotidiano. O que é bom ficou lá registrado no youtube. E o resto, bem. É melhor que parem por aqui, porque tem muita gente começando a sentir vergonha alheia.
O stand up comedy, coisa que importamos dos EUA mantendo o nome original, existe por aqui há tempos. Pra quem duvida, vale ver o vídeo do Chico Anysio, em preto e branco, com direito a gravatinha borboleta. Mas em terras tupiniquins, esse tipo de humor tornou-se notável nos últimos 3 ou 4 anos. Surgiu um, dois, e de repente eram milhares de pessoas querendo arrancar humor de qualquer situação.
Os apaixonados pelos estilo irão discordar, mas eu acredito que o stand up entrou em decadência. E caiu de lá de cima, em pleno auge da popularidade. Teve por aqui carreira meteórica. Sei que muitas pessoas ainda idolatram os rapazes que, de microfone na mão, satirizam situações cotidianas.
Mas quem observa Rafinha Bastos há um ano e compara com suas piadas atuais há de convir: o stand up banalizou. E banalizou em dois sentidos: todo mundo quer fazer; e querem fazer sobre qualquer coisa.
Humor faz bem, alivia o peso do cotidiano, a preocupação com as contas, com os filhos, com a escola. Mas em excesso, cansa. E, se é feito por necessidade de contar uma piada, é superficial. Quando vejo um humorista fazendo piada sobre o modo como o garçon não entende os gestos que o cliente faz, penso que essa pessoa – a que criou a piada – é um pouco triste. Que tipo de pessoa, durante o jantarzinho romântico ou a cerveja com os amigos, fica reparando no modo de agir do cara da mesa ao lado para depois escrever um texto que será, um dia, um roteiro? Se não é uma pessoa triste, é com certeza muito chata. Quem tem capacidade de fazer piada sobre tudo é porque repara em tudo. E uma pessoa que repara em tudo não pode em hipótese alguma ser uma pessoa agradável.
Deixando de lado as impressões pessoais, é fato que o stand up comedy tem seus dias contados. E os próprios comediantes sabem disso e refugiam-se em programas de TV ou em grupos de teatro para garantir o ganha pão.
Porém, a culpa pela decadência do estilo não é somente dos artistas. É cultural: brasileiro gosta de humor escrachado. É a preferência nacional. Ninguém vive de stanp up comedy. Porém, Tom Cavalcanti vive, há anos, de seus personagens. Temos ainda Tiririca, Turma do Didi, a Praça é Nossa. Muitos dirão que é um humor duvidoso, feito de piadas prontas há anos e personagens exagerados. Porém, é o humor que sobrevive. E do qual muitos tiram o dinheiro do mês.
Tudo que é bom tem fim. E tudo que é ruim também. Com a onda do stand up, conhecemos pessoas talentosas e rimos de boas observações acerca do nosso cotidiano. O que é bom ficou lá registrado no youtube. E o resto, bem. É melhor que parem por aqui, porque tem muita gente começando a sentir vergonha alheia.
02 maio 2009
pra escrever agora eu sou meio covarde
É sábado e é madrugada. Eu estou no pc, msn ligado, escrevendo no blog. Anos atrás, eu pensaria que quem faz isso num sábado a noite é bobo, viciado em internet ou sem amigos. Ou os três. Na verdade, ainda penso isso, porque sei que guardo aqui comigo nesse meu mundinho da carolândia um punhado de preconceitos. Nada que fira alguém, mas são aquelas coisinhas que a gente encontra escondido - ou exposto em cada um. E que servem pra fazer piadinha. Coisa boba e saudável, enfim.
Mas, desta vez, apesar de eu ter passado o sábado em casa comendo pizza e chocolate, não posso dizer que me sinto uma nerd babona. A madrugada valeu a pena. Assisti "Perfume de mulher" e acho que quem já viu sabe que qualquer madrugada de sábado é digníssima quando se trata de Al Pacino dançando tango. Me arrancou lágrimas e suspiros.
E então, quando eu vejo uma coisa tão linda dessa, não me sinto no direito de vir a público com minhas histórinhas meia boca. Eu queria escrever, mas não posso. Além disso, este teclado adora rir de mim e libera os acentos quando quer. E come letras quando quer também. Sendo assim, limito-me a minha insignificância - e a minha efêmera nerdisse - e deixo aqui um presentinho. Um conto de um autor que gosto muito e de quem pouco ouço falar por aí: Ivan Ângelo.
Não é o conto que eu queria, mas é igualmente encantador. Procurei outros pela internet, mas o autor tem pouca coisa disponível no mundinho virtual. Quem tiver oportunidade, procure o livro "O ladrão de sonhos" e leia inteiro, com atenção para o conto "O lado de dentro da gaiola". Era esse que eu queria deixar por aqui. Meu preferido. Porém, a Internet não me fez feliz. Deixo então o "Meio Covarde"; uma delícia de ler. E agora chega. Sou uma nerd momentaneamente encantada com Al Pacino e sem mais palavras para o momento.
Mas, desta vez, apesar de eu ter passado o sábado em casa comendo pizza e chocolate, não posso dizer que me sinto uma nerd babona. A madrugada valeu a pena. Assisti "Perfume de mulher" e acho que quem já viu sabe que qualquer madrugada de sábado é digníssima quando se trata de Al Pacino dançando tango. Me arrancou lágrimas e suspiros.
E então, quando eu vejo uma coisa tão linda dessa, não me sinto no direito de vir a público com minhas histórinhas meia boca. Eu queria escrever, mas não posso. Além disso, este teclado adora rir de mim e libera os acentos quando quer. E come letras quando quer também. Sendo assim, limito-me a minha insignificância - e a minha efêmera nerdisse - e deixo aqui um presentinho. Um conto de um autor que gosto muito e de quem pouco ouço falar por aí: Ivan Ângelo.
Não é o conto que eu queria, mas é igualmente encantador. Procurei outros pela internet, mas o autor tem pouca coisa disponível no mundinho virtual. Quem tiver oportunidade, procure o livro "O ladrão de sonhos" e leia inteiro, com atenção para o conto "O lado de dentro da gaiola". Era esse que eu queria deixar por aqui. Meu preferido. Porém, a Internet não me fez feliz. Deixo então o "Meio Covarde"; uma delícia de ler. E agora chega. Sou uma nerd momentaneamente encantada com Al Pacino e sem mais palavras para o momento.
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