29 setembro 2009

ESTAMOS EM GREVE

Depois de todos esses dias sem um postizinho, tenho mil assuntos na cabeça, mas nesse momento só quero dizer que tô puta com essa greve dos bancários.

Sim, é pessoal. Eu não sei se essa greve é nacional ou se é só no estado de São Paulo, porque ando meio mal informada quanto a isso, mas desde quinta-feira passada esses bancários filhos de uma digníssima mãe estão atrasando a vida de muita gente e, principalmente, a minha.
Não que eu não entenda que uma greve simboliza, entre outras coisas, a união que há em uma categoria de trabalhadores, e que se há greve é porque há problemas e o fim da greve pode simbolizar melhores condições de trabalho e, assim, melhor atendimento e prestação de serviços ao público. Sei bem de tudo isso, mas não posso concordar.
Há uns 5 anos eu ouço de muita gente que bom mesmo é prestar concurso porque trabalhar em banco é “teta” (e eu odeio essa expressão), que o sujeito trabalha sentadinho, num ambiente com ar condicionado, ganha bem e tem lá seus benefícios. Muita gente que trabalha em banco já me contou que o serviço é,as vezes, exaustivo, mas que no fim vale a pena.

A @mbottan disse lá no twitter algo do tipo “90% dos trabalhadores do Brasil estão descontentes com o salário e se todo mundo fosse fazer greve, só restaria deitar e morrer” e eu concordo com isso. Todo ano tem greve dos bancários e eu começo a não entender mais nada porque eu não acho que seja tão horrível assim ficar 8 horas assinando papéis, atendendo ao público e trocando dinheiro num lugar bonitinho (apesar de meio cinza, meio frio) que é um banco. Daí que eu concluo que a greve dos bancários tem um motivo mais profundo: é uma greve por frustração. Sim, sim. Quem aqui tem um priminho, irmãozinho ou filho que diz que quando crescer quer ser bancário? Quem aqui fez (ou faz) faculdade pensando em ser um grande bancário um dia? Pois é. Bancário é o tipo de profissão que se escolhe pelo dinheiro e pelos benefícios, não pela realização. Então, o que resta é pedir aumento, ué.

Mas aí eu penso em outra coisa: os caras estão lá dentro dos bancos todos os dias. Eles sabem de tudo o que acontece por trás do balcão de atendimento. E, se eles, apesar de ganharem bem (porque eu sei que bancário ganha bem sim) sabem que podem ganhar melhor, fico a pensar em quanto um banco não fatura por mês. E eu aqui pagando os juros do meu cartão de crédito. Aiai.


Não, e esse texto não tem conclusão. É mesmo um desabafo. Pronto, falei.

19 setembro 2009

Porque hoje é sábado

É sábado, chove e eu estou com sono.
Mas porque é um sábado assim, e porque esse blog anda um tanto abandonado, resolvi postar alguma coisinha. Porque, nestes dias de abandono, descobri que tenho uma meia dúzia de leitores fiéis que passam aqui vez ou outra e meu contadorzinho ai no canto esquerdo não me deixa mentir, muito menos ignorar esse fato e essas pessoas tão fofas - e com tanto tempo livre a ponto de vir aqui, ler, comentar e voltar.
E porque alguém comentou que ando sumida (obrigada, senhor taxista das boas histórias, por notar minha ausência), resolvo, então, escrever.

Mas, porque comecei a trabalhar nesta semana - não é que meu pedido se realizou?! - e estou me acostumando à nova rotina, ando muito cansada e pouco criativa. Então, meu post será breve.

Peço que vocês:

1. tenham paciência, porque textos legais estão por vir;
2. rezem pela família do suposto ET do Panamá, porque tenho certeza que a mãe dele avisou mil vezes pra ele tomar cuidado e não andar perto dos humanos, e agora essa pobre mãe procura desesperadamente pelo filho teimoso que desceu da nave e não voltou;
3. leiam, caso estejam tão a toa quanto eu, esta crônica do Mário Prata. Apesar de eu não concordar com o penúltimo parágrafo, ela é, de fato, muito boa.

07 setembro 2009

Salve, salve a pátria amada

Ontem vi aquela senhorinha amiga do rei Roberto Carlos, a dona Vanusa, no programa do Gugu, explicando porque errou a letra do nosso tão poético hino nacional. Ela falou dos remédios que toma, da ansiedade, do problema com os óculos e arrematou com uma frase enfática: “Ninguém sabe cantar o Hino Nacional. Ninguém!”.
Pois eu venho falar em defesa de todos aqueles que sabem que o belo, forte e impávido colosso não tem nada de risonho.
Durante 4 anos da minha vida – da quinta à oitava série – fui obrigada a cantar o hino nacional diante da bandeira. Toda quarta-feira era a mesma história: chegávamos na escola, deixávamos o material escolar na carteira e íamos para o pátio. Lá ficávamos, remelentos e sonolentos, em filas diante da bandeira do Brasil. A professora responsável por cada sala caminhava ao lado da fila observando se havia algum aluno mascando chicletes, cochichando ou dormindo em pé. E a diretora nos observava do alto da escada, rabugenta e orgulhosa.
Então hoje as pessoas dizem que as escolas não são mais as mesmas, que com o tempo as coisas só pioram e que não há mais respeito. E aí que, depois do episódio da dona Vanusa, eu fico na dúvida, porque pelo visto a escola onde ela estudou anos e anos atrás não ensinava o hino aos seus alunos, nem mesmo na semana da pátria. Porque a letra é difícil sim, mas pelo menos o ritmo todo mundo sabe; até os jogadores de futebol. Só a dona Vanusa é que não aprendeu. Ou então, coitadinha, foi pega pelo tal do Alzheimer – que é o que eu penso toda vez que vejo aquele vídeo, ela lá, com penas rosas no cabelo, cantando linda, loura – e louca.

06 setembro 2009

Para ler no dia do sexo


“Mas, enfim, de modo geral era um barato brincar com a hipocrisia e driblá-la criativamente. Essa amiga de quem eu já falei, Norma Lúcia, que nunca mais vi porque casou com um milionário sul-africano e foi morar lá, mas uma vez na vida ainda me escreve - depois eu quero falar ainda mais sobre ela, ela é mais tarada do que eu, muito mais, é um assombro, já deve estar um tanto passada dos setenta e na ativa, ainda mais agora, que o marido ficou paralítico e meio gaga - , essa amiga me deu grandes lições de anti-hipocrisia aplicada, usando a força dela contra ela, como dizem que fazem os lutadores de jiu-jítsu”.
(trecho do livro)

Hoje é o dia do sexo e eu não ligo muito para essas coisas. Acho bobagem quem diz “Oba! É dia do sexo, vamos fazer sexo para comemorar!!”. Quer dizer então que nos outros 364 dias ninguém faz sexo, é? Mas, já que o dia de hoje tem esse nomezinho especial, eu vou aproveitar e dar a dica: leiam “A casa dos budas ditosos”. Mas leiam de mente aberta, sem preconceitos e frescurinhas, senão vocês vão parar na terceira página e dizer “ai, que nojo” - e gente, sexo e nojinho são coisa que não combinam.
O livro faz parte da coleção Plenos Pecados, que reúne 7 títulos, cada um escrito por um autor brasileiro. Há o livro com uma história sobre a gula, outro sobre a vaidade e por ai vai. Idéia boa, né?.
“A casa dos budas ditosos” é do João Ubaldo Ribeiro e trata – adivinhem - da luxúria. A narradora-personagem é uma mulher de 68 anos que conta suas experiências sexuais e seus desejos sem nenhum pudor. E por trás de tudo isso, tem uma reflexão sobre a vida, por que a narradora – assim como todos nós – está prestes a morrer. Let's enjoy.

E dá pra ler clicando aqui.

04 setembro 2009

O subversivo

A delegacia de polícia de Dois Córregos fica no meio de uma pracinha florida. Sua porta de entrada – a única – é feita de madeira e fica em cima do quinto degrau da pequena escadaria que todos têm que subir para entrar no pequeno prédio de um corredor e cinco salas. E foi por essa escadaria que, numa tarde ensolarada de segunda-feira, o bêbado subiu. Tinha meia-idade e estava visivelmente bêbado, sujo e mal-vestido. Eu, que escrevia uma reportagem sobre as mulheres da cadeia, estava sentada no único banco, velho e de madeira, do corredor da delegacia. Cheguei cedo, antes do final do horário de almoço do delegado e tive que esperar. Olhava para a ponta de um dos meus tênis sujos quando o bêbado passou por mim. Ele parava de porta em porta e cumprimentava alguns pelo nome, outros por “ô meu cumpadre!”. Uns riam, outros respondiam educadamente “bom dia, como vai?”, outros ainda eram mais diretos “não me venha encher o saco”. Cumprido o ritual que me pareceu ser rotineiro, o bêbado, no final do corredor, deu uma meia-volta cambaleante e voltou, novamente parando de porta em porta: “Ô, Maria, me arruma um real pra comprar um pão?”. “Ajuda eu, rapaz!”. Ninguém ajudava e ele mudava de sala. Na última porta, que era também sua última esperança, ele implorou : “Por favor, um dinheirinho?”. O menino, que pelo andar desajeitado e espinhas no rosto eu julguei ser o office boy levantou da frente do computador, tirou do bolso uma carteira de couro e entregou ao bêbado uma nota que, de onde eu estava, não pude ver o valor. O bêbado sorriu, colocou a mão no ombro do rapaz e agradeceu daquele jeito que os bêbados agradecem: “Ô, meu filho, que Deus te abençoe”. Desceu as escadas da delegacia guardando a nota no bolso de trás e quando pulou do último degrau, ainda de costas para a velha porta de madeira, ergueu os braços e deu seu grito de liberdade: “É hoje que eu compro macooonhaaa!”.