30 janeiro 2009

Eu queria escrever uns textos e terminar de ler "Saudades do Século 20", do Ruy Castro. Ao invés disso, desencanei do blog por tempo indeterminado, li "Minha vida de Stripper", da Diablo Cody e assisti "Confissões de uma adolescente em crise" na sessão da tarde. Sobre o filme, prefiro não comentar. Sobre o livro, bem, ele me abriu a mente para uma nova opção de pagar minhas contas e talvez enriquecer usando o que Deus me deu. Nada de diploma, nada de concursos e caretices.

Meus textos ficam pra depois. Dá licença que vou malhar meus glúteos. Adoro uma futilidade!




Tá bom, gente. Sobre o strip, tô brincando. Bjonãomeliga!

19 janeiro 2009

momento baixaria

Carol e Xicão no msn, ambos assistindo "Mulheres Apaixonadas" (e começa aí a palhaçada!)

Xico:
Essa Paulinha tem cara de que gosta de rola

Carol:
ah, ela tem cara de mal-comida!

Xico:
por isso

Carol:
é...toda mal-comida gosta de rola, senão não teria cara de mal-comida...

Xico:
Faz sentido.


Agora vou deixar você pensando...

11 janeiro 2009

"...feito roda-gigante..."

Eu ia fazer um texto sobre essa coisa tão estranha que acontece nas ruas e nos bares, essa coisa de “se encaixar”. Sobre a necessidade das pessoas de pertencerem a um grupo, ir às festas, comprar um carro, uma casa e viver feliz pra sempre. Não que eu seja uma magoada misantrópica. Longe disso, quero ter filhos, uma casa em um lugar tranqüilo, com flores na janela e um gato. Mas os meus desejos são sempre muito verdadeiros, e não fruto de uma necessidade de pertencer a algo. Assim como as pessoas que escolho para estarem por perto são também muito verdadeiras – e não pelo fato de nunca mentirem, ou de serem sempre felizes, porque isso não existe! Enfim, eu queria falar dessa coisa de aceitar as condições, ganhar dinheiro e ser feliz, encher a cara, engordar, ter filhos, ensiná-los a não usar drogas, trocar de carro todo ano, ser promovido e ficar “no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar”. Eu não sou nenhuma junkie, hippie, ou qualquer pessoa que se possa considerar um lixo ou um apêndice dessa sociedade. Sou normal, até. A diferença é que eu não assinei o contrato sem ler. Enfim, eu queria falar disso tudo e fazer um drama aqui, mas tive uma idéia melhor. Vou deixar pra vocês um texto do Caio Fernando de Abreu – quase um tapa na nossa inocente carinha pós-moderna. Um desabafo do autor. Um dos meus preferidos, o “Dama da Noite”:

http://semamorsoaloucura.blogspot.com/2006/09/dama-da-noite.html



E eu? Eu vou ver o mar, que sei bem aproveitar o que há por ai.

09 janeiro 2009

pra sempre so(l)

Uma tarde entrou um raio de sol diferente pela minha janela.
Desses que passam por baixo das nuvens pesadas de chuva num fim de tarde. Desses quem vêm depois que a chuva acaba e deixam uma alegria suave pairando no ar.
E ele, que entrou no meu quarto quando eu pensava em coisas práticas (escovar dentes, depois procurar a mochila, achar a chave e sair), me fez sentar no chão mesmo e pensar longe.
E, de pensamento em pensamento, guiado pelo raio de sol, eu fui parar numa manhã de primavera de uns 12 anos antes.
Tinha, nessa manhã, uma casa com varanda, uma mesa de madeira e uma avó que era minha.
E minha avó fazia uma coisa que hoje já não se faz: escolhia arroz. E eu ficava do lado ajudando. Grãozinho por grãozinho, separado. Eu brincava e levava bronca. E então ficava séria e fazia tudo direitinho. Minha avó quase não falava, porque escolher arroz era tarefa que exigia atenção. Atenção e vista boa, por isso ela ajeitava os óculos no nariz e franzia um pouco a testa.
O tempo parava na janela e dali pra dentro não entrava. Eu brincava com arroz, minha avó ficava séria e a brisa morna de verão balançava as folhas do pé de uva. O gato dormia bem embaixo da minha cadeira. E era tudo para sempre.
Hoje o arroz vem separadinho e é só lavar. O tempo entra pela janela junto com a brisa. O gato dorme e acorda e eu nem vejo. E eu só quero saber quando foi que as coisas pararam de ser pra sempre.


*Descobri que minha mãe fez uma pasta aqui no pc com meus textos inacabados. Esse era um deles.

06 janeiro 2009

Meus pedidos para 2009

Este é um post de conteúdo subjetivo, pessoal e inútil. É bom avisar, né?


Já é 2009. A festa já passou, as coisas voltaram ao normal. E desde que não sou mais uma adolescente influenciada por wicca, candomblé, filosofias orientais e fases da lua, não faço promessas ou pedidos para o ano novo. Nos últimos anos minhas crenças se resumiram a escolher a cor da calcinha que corresponde àquilo que mais desejo para o ano: rosa = amor, amarelo = dinheiro e por aí vai. Fé na calcinha e só!
Mas nesse final de ano que passou, bem na última semana de dezembro, meu pai descobriu que trabalho na noite. Não, não sou garota de programa, nem stripper, podem tirar o sorrisinho da cara. Trabalho muito mais e ganho muito menos: sou hostess/garçonete/caixa em um pub. Com a descoberta, meu pai, que é desses bem caretas “filhomeunãoseprestaaisso” ficou preocupado, decepcionado e puto, com ênfase para o último adjetivo.
Nessa situação, e sendo meu pai quem paga as contas que o dinheiro que ganho não pode pagar, resolvi que é hora de ter fé e fazer uns pedidos para 2009. Além disso, é meu último ano de faculdade, o que só agrava minha situação.
Então, eu resolvi pedir para 2009 um estágio, ou um bom emprego. Mas levando em consideração que tenho um TCC para fazer, preciso de tempo. Além disso, vou fazer aulas de tecido acrobático e cuidar mais de mim. Então, preciso de um estágio que ocupe, no máximo, meio período do meu dia. E preciso ganhar bem, porque, depois da bronca que levei, sinto necessidade de mostrar para meu pai que sou capaz de me sustentar. É isso que quero, basicamente: um estágio legal, tempo livre e dinheiro.
E agora vocês pensam: ah, com certeza ela fala alemão, além do inglês e espanhol fluente, faz um curso de engenharia de produção, ou mecânica, ou então algo ligado à computação, e mora em uma cidade cheia de multinacionais e escritórios modernérrimos, cheios de gente importante e sedentos por estagiários que terminarão a faculdade em dezembro de 2009.
Pois bem. Agora é hora de vocês rirem de mim. Ou de sentirem pena. Ou os dois. Eu arranho no inglês, enrolo bem no portunhol e só. Moro em Bauru, conhece? Pois é. E a faculdade, uma dica: eu tenho um blog, cabelos curtos e uso óculos de armação moderninha. Adivinharam? Sim pessoal, eu sou estudante de jornalismo. Ooooh! Tudo bem, pela descrição poderia ser também uma futura designer ou publicitária. Mas, se fosse a primeira opção, este blog teria mais figuras. E se fosse a segunda, eu não estaria agora tão preocupada com o futuro. Não que o mercado esteja fácil para os publicitários, mas pelo que observo nos estudantes de publicidade que conheço, eles são mais confiantes. Ou disfarçam muito bem.
Voltemos. Eu queria pedir para 2009 um bom estágio, e por bom entende-se bom salário e pouco tempo de trabalho. E então, os mais esforçados de vocês pensarão: porque ela não arruma um trabalho de 8 horas por dia, como as pessoas normalmente fazem? E a resposta é simples: porque não quero. Porque quero ler meus livros, ver meus filmes, fazer as aulas de tecido, namorar. É assim, sou egoísta. E se eu quisesse trabalhar 8 horas por dia, seria egoísta do mesmo jeito, a não ser que eu trabalhasse para uma ONG que ajuda crianças de rua ou coisa do tipo. Mas daí, não ganharia dinheiro, então, não seria interessante trabalhar 8 horas por dia. Se eu trabalhasse 8 horas por dia só para ganhar mais dinheiro, seria, além de egoísta, gananciosa. Eu sei que lá em cima eu disse que um bom trabalho é aquele em que se trabalha pouco e ganha bem, e aí vocês podem dizer que querendo isso também estou sendo gananciosa. Mas quando falo em ganhar bem, quero dizer ganhar dinheiro para poder me sustentar. E viver está caro, todo mundo sabe. Resta-me desejar tempo.
Então, a menos que eu seja um gênio ou que eu tenha parentes influentes, jamais conseguirei realizar o que pensei em pedir. E como sou só uma menina latino americana sem dinheiro no banco e sem parentes relevantemente importantes, preciso contar com a sorte. Não venha me falar que arrumar um bom trabalho só depende da capacidade do candidato à vaga, porque isso é mentira! Sorte conta, e muito. Na análise do currículo, você tem que ter a sorte de o analisador estar procurando exatamente aquilo que você tem a oferecer. Na prova eliminatória, você tem que ter a sorte de cair algo que você estudou. Na entrevista você tem que ter a sorte de o entrevistador ir com a sua cara. Por aí vai. Sem falar na sorte de não perder o ônibus, de não chover quando você estiver chegando na empresa... (e aqui eu suponho que escrevo para pessoas que levam uma vida ralé como a minha, sem carro e sem papai por perto).
E então, pensando nesse lance todo de sorte, eu percebi que há algo mais fácil para desejar, e que depende em grande parte de mim: ficar gostosa. É, isso mesmo. Malhar, comer frutas e tomar shakes de proteína, deixar o cabelo crescer, tomar sol, colocar lentes de contato e aposentar os óculos de armação moderninha. E então, juntar uma grana, ir para o Rio de Janeiro, entrar em uma balada caríssima no Leblon, conhecer um produtor da Globo, fazer ele se encantar por mim, anotar seu telefone e depois de uns dias pedir um favorzinho “me coloca no BBB 10!”. Uma vez lá dentro, será fácil conquistar o Brasil, ganhar um milhão e viver feliz para sempre. E agora vocês (e percebam que eu suponho que tenho muitos leitores) estão de queixo caído com a minha futilidade. Rá! Peguei vocês!
Não, eu não ficarei gostosa (a não ser que as aulas de tecido acrobático possam fazer isso por mim) e não me sujeitarei a ir até o Rio somente para xavecar um produtor da Globo. Continuarei em Bauru me esforçando para ser um dia uma boa jornalista. E desejo mesmo um bom estágio, mesmo sabendo que as condições que exijo são utópicas. Também desejo a paz na faixa de Gaza, porque ser egoísta não é ser desumano. E lá para setembro de 2009 vou enviar para a Globo uma gravação minha, dizendo que sou estudante, fiz teatro, faço tecido acrobático e bamboleio. Só pra garantir.