Chuva fina na janela. Quarto triste, eu sem ela. Hora vai, vem e não passa. Água cai, desce e não cessa. Saudade bate, aperta e não cansa.
Eu sofro, deliro, penso. Ouço lá fora o vento, manso. Fecho os olhos mas não descanso. Roupas no chão, ansioso, tenso. Chuva aumenta, bate forte. Penso em fuga, em sono, em morte. Em álcool, cigarro, em rua, carro. Em me jogar a qualquer sorte. Chuva que não cansa, aumenta.Saudade que não cansa, atormenta. Cabeça que não pára, inventa. Que pensa, pensa, pensa...E de pensar, alucina. A batida na janela desperta. Não é chuva, não é vento. Molhada, chega ela: o fim do meu tormento! Esqueço porta, pulo janela. Vou pela rua com ela e agradeço à chuva por ter aumentado.
29 setembro 2007
15 setembro 2007
Ansiedade
Foi assim, como um lapso, e de repente eu estava lá, naquele banheiro. Ou era um quarto? Era chão e parede, isso eu sei, sinto o frio ainda. E olhava as unhas, que eram minha unhas vermelhas, mas o vermelho nem me interessava, o que pensava era na força daquela cena, unhas vermelhas sobre a pele branca. As mãos muito brancas. E o pulso...O pulso é o que chamava atenção, pedia cuidado...Pulso resume toda a vida. Se pulsa tá vivo, se não pulsa é morte, se corta é morte desejada, implorada, de súbito. E o pulso pulsava e incomodava. Pois a vida não deve incomodar, se incomoda a gente logo corta. E era isso que pensava, ali, olhava o pulso. E deu vontade de arranhar. E arranhei. Foi dor pouca pra tanta vida, pra tanto pulso, embora frágil. Mão e pulso ali, na minha frente, implorando cuidado, implorando ação. Arranhar machuca, faz eu me sentir: eu arranhando meu pulso, uma agressão barata, pouca. Faz sentir, mas não se basta. Se cortar, mata? Mata. Mas não é a vontade de matar, de acabar tudo. É a necessidade de ver sangue brotando, de ver vida, biologicamente falando. Vontade de ver o que me faz ser, o que me move, além de sonhos e vontades: sangue. Olhei o pulso. Pensei em estilete, em faca. Pensei nas unhas vermelhas e o vermelho escorrendo, manchando o chão. Não eram apelos, medos, fugas. Eram coisas que me passavam, curiosidades, vontades de mergulhar em mim. Foi o esmalte contrastando com a pele que me atraiu. E o pulso que incomoda, pulsando sempre e a gente nem sabe por quê. Ficava lá, chamando, passando vida a todo instante. E olhei, arranhei. Senti o frio da parede, do chão. Senti minha covardia, minha insistência, levantei. Parei, pensei, e ele lá, pulsando, ausente de meus próprios pensamentos, ignorando minhas vontades, continuando. Eu pensando, e sangue correndo o tempo todo...
01 setembro 2007
Era uma vez...Era uma vez? Sim, sim. Pois essa é uma história com um toquezinho de fantasia, faz-se então digna do ‘Era uma vez’. Pois bem.
Era uma vez um gramado perto de um rio, numa terra sempre quente, sempre bela e cheia de borboletas roxas, rosas e azuis. E nesse gramado havia uma árvore, que é o que na verdade tem mais importância. Era única aquela árvore, não havia outra ao lado e nem por perto, num raio de 5 quilômetros, mais ou menos. Ninguém nunca chegou a medir isso, mas é o que eu calculo mentalmente. Na verdade, é um número que inventei, só pra vocês imaginarem que a árvore era só em um grande e belo espaço. E essa árvore tinha flores, muitas flores. Pequenas e amarelas. Todas perfumadas, com cheiro de verão, e quem passava perto achava que o cheiro era das borboletas, pois ficava tão lindo pensar que aquelas coisinhas coloridas e pequeninas fossem também perfumadas!
Mas a árvore por enquanto é o que realmente interessa. E ela era uma árvore que deveria dar frutos, porém, não se sabe se por engano da natureza ou por pura vaidade da árvore, ela só dava as flores perfumadas. Acontece que, um dia, quando era época de frio no resto do país, mas lá era manha de sol, surgiu na árvore, ali entre as flores, uma coisinha cor-de-laranja. Quem viu pensou que a árvore realmente havia se decidido à dar frutos. E com aquele perfume, claro, só poderia ser uma laranjeira. Aquela pequenina coisinha cor-de-laranja ficou ali, quietinha, num cantinho entre as flores por dias; dias que foram logo semanas e depois meses. Então, houve um dia que, depois de um amanhecer que havia sucedido uma noite estrelada e que esta tivera seu início com uma chuva de águas mornas de verão, a coisinha cor-de-laranja se mexeu. Nada de muito brusco, foi apenas uma balançadinha. Mas era tão frágil que isto já a fez cair de uma vez sobre a grama. Ali ficou, e até as borboletas deram uma paradinha no ar, só pra ver o que acontecia. E demorou a acontecer, mas aconteceu. A laranja foi aos poucos se abrindo, dando lugar a um branco, e tudo se levantou. A surpresa foi tão grande que passarinho nenhum, por mais longe que voe, poderia imaginar: era uma menina!
Pequena como as flores, alegre como as borboletinhas e de cabelos ruivos, que a faziam confundir com uma laranja!
A primeira coisa que fez foi sorrir. Depois espreguiçou longo e leve. E a terceira coisa que fez foi cantar.
Todo mundo que viu se espantou, pois não poderia existir algo assim, uma menina tão pequena, tão alegre e com cabelos cor-de-laranja. Mas lá estava ela, sorrindo pra qualquer um e tomando banho de sol.
E por ter surgido no estranho calor de julho, chamaram-na Juliana. E por ter, por assim dizer, caído no mundo depois da chuva do verão de dezembro, era tão alegre. E por ser a única fruta de uma árvore que só dá flores, era diferente de todo o resto do mundo! Ela cantava e ria e pouco se preocupava com qualquer chaticezinha. E, devido ao lugar onde surgiu, tinha a cabeça nas nuvens, sempre cercada de borboletazinhas coloridas que a faziam pensar sempre mais longe, porque ela vivia é acompanhando o vôo das borboletas com o olhar, até sumir. E bem, o final da história é esse. O que interessa é que em algum lugar há uma árvore única e uma menininha mais única ainda. E sim, ela viverá feliz para sempre!
Era uma vez um gramado perto de um rio, numa terra sempre quente, sempre bela e cheia de borboletas roxas, rosas e azuis. E nesse gramado havia uma árvore, que é o que na verdade tem mais importância. Era única aquela árvore, não havia outra ao lado e nem por perto, num raio de 5 quilômetros, mais ou menos. Ninguém nunca chegou a medir isso, mas é o que eu calculo mentalmente. Na verdade, é um número que inventei, só pra vocês imaginarem que a árvore era só em um grande e belo espaço. E essa árvore tinha flores, muitas flores. Pequenas e amarelas. Todas perfumadas, com cheiro de verão, e quem passava perto achava que o cheiro era das borboletas, pois ficava tão lindo pensar que aquelas coisinhas coloridas e pequeninas fossem também perfumadas!
Mas a árvore por enquanto é o que realmente interessa. E ela era uma árvore que deveria dar frutos, porém, não se sabe se por engano da natureza ou por pura vaidade da árvore, ela só dava as flores perfumadas. Acontece que, um dia, quando era época de frio no resto do país, mas lá era manha de sol, surgiu na árvore, ali entre as flores, uma coisinha cor-de-laranja. Quem viu pensou que a árvore realmente havia se decidido à dar frutos. E com aquele perfume, claro, só poderia ser uma laranjeira. Aquela pequenina coisinha cor-de-laranja ficou ali, quietinha, num cantinho entre as flores por dias; dias que foram logo semanas e depois meses. Então, houve um dia que, depois de um amanhecer que havia sucedido uma noite estrelada e que esta tivera seu início com uma chuva de águas mornas de verão, a coisinha cor-de-laranja se mexeu. Nada de muito brusco, foi apenas uma balançadinha. Mas era tão frágil que isto já a fez cair de uma vez sobre a grama. Ali ficou, e até as borboletas deram uma paradinha no ar, só pra ver o que acontecia. E demorou a acontecer, mas aconteceu. A laranja foi aos poucos se abrindo, dando lugar a um branco, e tudo se levantou. A surpresa foi tão grande que passarinho nenhum, por mais longe que voe, poderia imaginar: era uma menina!
Pequena como as flores, alegre como as borboletinhas e de cabelos ruivos, que a faziam confundir com uma laranja!
A primeira coisa que fez foi sorrir. Depois espreguiçou longo e leve. E a terceira coisa que fez foi cantar.
Todo mundo que viu se espantou, pois não poderia existir algo assim, uma menina tão pequena, tão alegre e com cabelos cor-de-laranja. Mas lá estava ela, sorrindo pra qualquer um e tomando banho de sol.
E por ter surgido no estranho calor de julho, chamaram-na Juliana. E por ter, por assim dizer, caído no mundo depois da chuva do verão de dezembro, era tão alegre. E por ser a única fruta de uma árvore que só dá flores, era diferente de todo o resto do mundo! Ela cantava e ria e pouco se preocupava com qualquer chaticezinha. E, devido ao lugar onde surgiu, tinha a cabeça nas nuvens, sempre cercada de borboletazinhas coloridas que a faziam pensar sempre mais longe, porque ela vivia é acompanhando o vôo das borboletas com o olhar, até sumir. E bem, o final da história é esse. O que interessa é que em algum lugar há uma árvore única e uma menininha mais única ainda. E sim, ela viverá feliz para sempre!
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