Dando um tempo das coisas belas ou surreais da vida, vamos falar do mundinho real. Porque um dia desses ví um amigo meu, desses machistazinhos enrustidos, que exibem a namorada gostosa pra todo mundo, como troféu. E acontece que a namorada gostosa de um ano atrás de gostosa não tem mais nada. Saquei tudo: ela era gostosa só pra conseguir pegar ele. Pensam que isso não existe?
As Amélias, tristes Amélias.
A Amélia não tinha a menor vaidade, era a mulher de verdade. Pois é.
E você pensa que agora isso não existe mais só porque a mulherada passa menos tempo na frente do fogão? Engano seu.
Hoje existe uma outra categoria de Amélia, ainda mais triste.
É aquela que não cozinha, não lava nem passa porque o marido paga a empregada pra fazer isso pra ela. Ela estuda porque o pai manda, e se cuida até arrumar um homem. Quando encontra, desencana, relaxa total, como se tivesse vivido até ali só com aquela função: achar homem. Quantos amigos, colegas, eu já não vi por aí se gabando por pegar “aquela gostosa”. Começa a namorar, dá um ano e a gotosa ta lá com uma farta barriga. E não é gravidez, não, é descuido. Que fique claro que não sou a favor de a mulher ser escrava da beleza e viver na academia. Eu mesma não malho faz tempo. Mas é triste saber que há meninas que se matam em regimes e musculações com uma única finalidade: atrair machos! É uma falta de amor próprio. Mulher tem que se cuidar porque é saudável, porque faz bem, auto-estima e tal.
E tem aquelas (na verdade são as mesmas) que não saem de casa, não vão a um barzinho ou festa sem o macho do lado. Triste sociedade patriarcal. O pai cria a filha, põe numa redoma e macho nenhum pode chegar perto. A mocinha lá, doida pro macho chegar. E chega. E ela sai debaixo das asas do pai e se enfia embaixo da nova redoma. Até a cerimônia do casamento deixa isso bem claro: o pai leva a filhinha até o altar e passa ela para as mãos do novo dono: “cuida!”. Como se a menina não fosse nada sem um homem ao lado. E geralmente são essas, as que casam na igreja, que um ano depois vão engordar, descuidar total.
Tenho muita amiga que não sabe viver sem homem: uma tristeza, se metem em cada uma. Tudo pra não ficar sozinha, como se mulher sem homem fosse a coisa mais feia do mundo.
As Amélias de antigamente são totalmente compreensíveis. Era difícil pra uma mulher, naquele tempo, se impor sem levar tapas na cara, e o tapa vinha do marido e da sociedade.
Hoje não. E ainda assim elas preferem se limitar à companheira do homem. Triste. E eu que nem feminista sou, acho lamentável ver tanta menininha se anulando assim, achando que tudo que ela pode fazer na vida é arrumar um marido e dizer amém.
Amélias que não conhecem felicidade
Não sabem da liberdade
Não, não são mulheres de verdade.
14 outubro 2007
12 outubro 2007
Planeta Terra chamando, planeta Terra chamando...
Dia desses tive um sonho e, como nada de costume, acordei com ele todo, cada detalhe, na cabeça.
Aconteceu assim: minha tia, Rô, baixinha, simpática, tinha ido para Netuno! Ela e mais uns terráqueos.
Quando voltou, sentamos ao redor de uma mesa com café e bolos para conversar sobre a inusitada viagem. Eu, quase explodindo de curiosidade. E, enquanto ela me contava, eu via as cenas todas – nos sonhos tudo pode acontecer.
E ela contava: era uma excursão de terráqueos, com a finalidade de conhecer a vida netuniana. A primeira coisa em que repararam foi o clima: quente. Parecia São Paulo – o estado - , mas um pouco mais árido. E na minha cabeça, vi Brasília.
E as cidades, como são? (Sim, porque no sonho não havia a possibilidade de Netuno ser um planeta desprovido de qualquer espécie de vida).
E as cidades eram como cidades nossas, bem interioranas, nos anos 50. Poucos carros, muitas carroças. Os carros que existiam eram pouco potentes, gastavam muito combustível, etc etc.
Depois lembrei de vídeos e histórias onde marcianos, netunianos ou qualquer outro ser do espaço vem até aqui e assusta os pobres terráqueos. Perguntei: eles te viram? Você conversou com eles?
E ela me explicou que não, que os terráqueos observavam de longe os netunianos, e logo imaginei minha tia atrás de uma árvore a olhar os netunianos passando com sacolas de compra, voltando da feira, andando nas estradas de terra (?), pois, como a Rô havia me dito, asfalto por lá é coisa rara.
E pensei em como nós somos maus e perversos. Fingimos que temos medo de ET, que eles são mais inteligentes, mais desenvolvidos e vêm nos assustar e tomar o que temos de bom. Mas na verdade somos nós que assustamos os pobres coitados, eles lá, ainda parados no tempo, sem computador e sem bons carros ou grandes prédios. Nós aqui, mandando nossas navezinhas, nossos satélites, Eles lá, fazendo compras e vendo um ser estranhos atrás de uma árvore, espionando. Com certeza ia sair no jornal, se eles tiverem algum. A gente não se contenta mesmo, não é?, com a tecnologia. Sempre acha que alguém tem mais. Sempre acha que pode mais. São tão simples, os netunianos.
Por fim, perguntei como são os tais netunianos. E minha tia, com cara de espanto, como se descrevesse um ser absurdamente bizarro, disse: são baixinhos, de quadril largo. Me espantei também e, na minha insanidade onírica, pensei: que estranho, meu deus!!
Acordei rindo, claro. E lembrei daquele famoso livro, “Homens são de Marte e mulheres são de Vênus”. E cheguei à conclusão de que homens podem ser de Marte sim. Mas mulheres são de Netuno. Pelo menos eu, minha tia e mais umas duas dúzias de brasileiras que conheço.
Aconteceu assim: minha tia, Rô, baixinha, simpática, tinha ido para Netuno! Ela e mais uns terráqueos.
Quando voltou, sentamos ao redor de uma mesa com café e bolos para conversar sobre a inusitada viagem. Eu, quase explodindo de curiosidade. E, enquanto ela me contava, eu via as cenas todas – nos sonhos tudo pode acontecer.
E ela contava: era uma excursão de terráqueos, com a finalidade de conhecer a vida netuniana. A primeira coisa em que repararam foi o clima: quente. Parecia São Paulo – o estado - , mas um pouco mais árido. E na minha cabeça, vi Brasília.
E as cidades, como são? (Sim, porque no sonho não havia a possibilidade de Netuno ser um planeta desprovido de qualquer espécie de vida).
E as cidades eram como cidades nossas, bem interioranas, nos anos 50. Poucos carros, muitas carroças. Os carros que existiam eram pouco potentes, gastavam muito combustível, etc etc.
Depois lembrei de vídeos e histórias onde marcianos, netunianos ou qualquer outro ser do espaço vem até aqui e assusta os pobres terráqueos. Perguntei: eles te viram? Você conversou com eles?
E ela me explicou que não, que os terráqueos observavam de longe os netunianos, e logo imaginei minha tia atrás de uma árvore a olhar os netunianos passando com sacolas de compra, voltando da feira, andando nas estradas de terra (?), pois, como a Rô havia me dito, asfalto por lá é coisa rara.
E pensei em como nós somos maus e perversos. Fingimos que temos medo de ET, que eles são mais inteligentes, mais desenvolvidos e vêm nos assustar e tomar o que temos de bom. Mas na verdade somos nós que assustamos os pobres coitados, eles lá, ainda parados no tempo, sem computador e sem bons carros ou grandes prédios. Nós aqui, mandando nossas navezinhas, nossos satélites, Eles lá, fazendo compras e vendo um ser estranhos atrás de uma árvore, espionando. Com certeza ia sair no jornal, se eles tiverem algum. A gente não se contenta mesmo, não é?, com a tecnologia. Sempre acha que alguém tem mais. Sempre acha que pode mais. São tão simples, os netunianos.
Por fim, perguntei como são os tais netunianos. E minha tia, com cara de espanto, como se descrevesse um ser absurdamente bizarro, disse: são baixinhos, de quadril largo. Me espantei também e, na minha insanidade onírica, pensei: que estranho, meu deus!!
Acordei rindo, claro. E lembrei daquele famoso livro, “Homens são de Marte e mulheres são de Vênus”. E cheguei à conclusão de que homens podem ser de Marte sim. Mas mulheres são de Netuno. Pelo menos eu, minha tia e mais umas duas dúzias de brasileiras que conheço.
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